A carta assinada por 13 ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em apoio ao presidente da Corte, Edson Fachin, partiu da iniciativa da ex-ministra Ellen Gracie, primeira mulher a ocupar uma cadeira no tribunal. A informação foi apurada pelo âncora do Jornal da Band e do BandNews do Meio do Dia, Eduardo Oinegue, que conversou com integrantes do grupo que participou da elaboração do documento.
Segundo a apuração, a carta foi enviada a Fachin ainda na noite de segunda-feira (7), por meio do WhatsApp. O ex-ministro Carlos Velloso, que também assinou o documento, chegou a telefonar pessoalmente para o presidente do STF para compartilhar o sentimento de indignação diante da situação enfrentada pela Corte.
O documento manifesta apoio à condução de Fachin e pede uma reação institucional diante da crise. Os ex-ministros afirmam ter “plena confiança” na atuação do presidente do Supremo e defendem a convocação, com urgência, de uma sessão pública do plenário para determinar a apuração rigorosa dos fatos que vêm afetando o prestígio e a autoridade da Corte.
Barroso, Marco Aurélio e Lewandowski não assinaram
Os ex-ministros Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski foram procurados, mas decidiram não participar da manifestação.
Barroso, que deixou o STF em outubro de 2025, explicou que mantém relações pessoais com os ministros que permanecem na Corte e que prefere contribuir internamente para uma solução para a crise. Ele afirmou ainda que tem conversado com integrantes do tribunal sobre os caminhos possíveis para o impasse.
Manifestação rara entre ex-ministros
Para Eduardo Oinegue, chama atenção a disposição de um grupo tão amplo de ex-integrantes do Supremo de se manifestar de maneira objetiva sobre a crise.
A carta também se destaca pelo tom direto e conciso. O documento não cita nominalmente nenhum ministro, mas foi divulgado em meio à crise institucional envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Além de Ellen Gracie e Carlos Velloso, assinam a manifestação Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
Fachin enfrenta dificuldade para conduzir sessões
A manifestação ocorre em um momento de forte tensão dentro do STF. Segundo a apuração de Oinegue, Fachin enfrenta dificuldades para realizar sessões do plenário destinadas à votação de matérias enquanto a crise institucional permanece sem solução.
O movimento dos ex-ministros representa, nesse contexto, um respaldo público à presidência de Fachin e uma cobrança para que o tribunal adote uma resposta institucional diante dos acontecimentos que vêm atingindo a imagem e a autoridade do Supremo.
