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Início Brasil

Caso Master deflagra a operação de “salve-se quem puder” após revelações

Por Junior Melo
04/set/2026
Em Brasil, STF
Reprodução/ Metrópoles

Reprodução/ Metrópoles

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As recentes revelações envolvendo o Caso Master desencadearam, nos últimos dias, uma espécie de operação de “salve-se quem puder” entre diferentes grupos de poder em Brasília.

Com a divulgação de novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, o alcance da crise aumentou e também se intensificaram os movimentos de autoridades e grupos políticos para tentar preservar seus integrantes.

Entre os personagens mais citados nesse cenário estão o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Os três aparecem nas mensagens atribuídas ao dono do Banco Master que foram divulgadas nos últimos dias.

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Diante da repercussão, os integrantes do grupo passaram a buscar estratégias para reduzir os impactos políticos e institucionais das revelações.

Nesse movimento, contam com o apoio do ministro Gilmar Mendes, decano do STF e uma das figuras mais experientes da Corte. Embora não tenha sido diretamente mencionado nas mensagens divulgadas, Gilmar mantém uma relação próxima com Gonet, de quem já foi sócio, além de ter apoiado sua indicação para o cargo de procurador-geral da República.

Gilmar também tem interesse na preservação da estabilidade do Supremo e no futuro da própria Corte. Uma crise capaz de enfraquecer seus aliados no tribunal poderia ampliar as consequências do episódio.

Moraes também conta com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador já declarou que, enquanto estiver na presidência da Casa, não pretende abrir processo de impeachment contra o ministro.

Lula é cobrado por apoio

Na tentativa de reduzir os efeitos da crise, o grupo ligado a Moraes passou a cobrar apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que o Supremo foi um dos principais pilares de sustentação da governabilidade durante o terceiro mandato do petista.

Lula, porém, não reagiu da maneira esperada pelo grupo. Sem citar nomes, o presidente publicou um vídeo no qual afirmou que “é fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem, doa a quem doer”.

A manifestação ocorreu a menos de um mês do primeiro turno e foi interpretada como uma tentativa de evitar que o presidente fosse associado a uma eventual blindagem de autoridades em meio à crise.

Mendonça e Messias entram no centro da disputa

Em outra frente, o grupo ligado a Moraes passou a questionar a atuação do ministro André Mendonça. Foi ele quem autorizou o fim do sigilo que permitiu a divulgação das mensagens de Vorcaro.

Na noite de quinta-feira (3), Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que Mendonça fosse investigado por suposta prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Moraes também solicitou que o colega fosse investigado por suposto favorecimento a determinados grupos políticos. As acusações estão relacionadas, segundo o pedido, à atuação de Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS.

A reação também atingiu Jorge Messias, advogado-geral da União. O chefe da AGU passou a ser alvo de críticas dentro da cúpula da PF, que o acusa de omissão diante de decisões tomadas por Mendonça.

Messias, que mantém proximidade com Mendonça, tem uma interpretação diferente. Ele avalia que as críticas fazem parte de um movimento destinado a desgastá-lo e, simultaneamente, preservar Gonet, que também exerce atribuições relacionadas ao controle externo da Polícia Federal.

O temor de Messias é que a disputa prejudique seus planos de voltar a ser indicado ao STF e obter aprovação do Senado, caso Lula decida novamente indicá-lo para uma vaga na Corte.

Fachin tenta administrar a crise

No centro do conflito está Edson Fachin, presidente do STF. Diante do embate entre diferentes grupos, o ministro precisa administrar a crise e, ao mesmo tempo, preservar a imagem institucional do Supremo.

Fachin busca equilibrar a necessidade de esclarecer os fatos envolvendo as mensagens e a atuação de integrantes da Corte, sem permitir que a crise comprometa sua própria imagem ou a credibilidade do tribunal.

Enquanto isso, outro personagem diretamente ligado à estrutura de segurança pública do governo federal mantém uma postura discreta: o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

À frente de uma pasta que mantém relação direta com instituições envolvidas no episódio, Wellington tem evitado se expor publicamente e entrar nas disputas que envolvem STF, Polícia Federal e governo.

O resultado é um cenário de Brasília em modo “salve-se quem puder”. Cada grupo tenta construir sua própria narrativa, transferir responsabilidades e evitar que o Caso Master atinja seus integrantes.

À medida que novos personagens entram na disputa, aumenta também a dificuldade de separar os fatos relacionados às investigações da guerra de versões e da disputa política provocada pela crise.

Com informações de METRÓPOLES

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