Ao pedir ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a investigação do ministro André Mendonça, Alexandre de Moraes citou relatórios de inteligência da Polícia Federal que mencionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo o material citado por Moraes, Alcolumbre seria um possível alvo estratégico das movimentações atribuídas a Mendonça. A avaliação é relacionada à influência política do senador e ao controle da pauta do Senado, especialmente em relação a pedidos de impeachment de ministros do STF.
Alcolumbre esteve entre as principais autoridades que defenderam Moraes após a divulgação de conversas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo veio a público no contexto das investigações envolvendo o Banco Master.
No pedido apresentado por Moraes, o ministro cita um relatório da PF que avalia uma possível articulação envolvendo Mendonça e Alcolumbre.
“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Avalia-se que o relator possa enxergar em Antonio Rueda rota de acesso a Alcolumbre, com quem manteve desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal, no governo passado, quando aquele parlamentar representou grande empecilho à indicação”, diz o relatório citado por Moraes.
A própria documentação trata essa avaliação como uma hipótese de inteligência, e não como uma conclusão comprovada de que Mendonça tenha utilizado investigações para atingir Alcolumbre.
Lulinha também aparece no relatório
Os documentos de inteligência citados por Moraes também mencionam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no contexto das investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos associativos em benefícios do INSS.
Segundo o relatório, haveria uma possível diferença nos critérios adotados por Mendonça em casos envolvendo Lulinha e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, atual candidato ao governo da Bahia.
“Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator manifestou percepção de que ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”, diz o trecho do relatório.
A PF apresenta a comparação como indicativo de uma possível “assimetria” na condução dos casos. O documento, porém, registra uma avaliação dos investigadores, e não uma decisão judicial que tenha comprovado tratamento desigual por parte de Mendonça.
Os relatórios utilizados na análise são documentos de inteligência e, segundo as informações divulgadas sobre o caso, não possuem valor probatório. Portanto, as avaliações apresentadas pela PF devem ser tratadas como hipóteses e análises, e não como fatos definitivamente comprovados.
Com informações de Metrópoles.
