Em meio à crise envolvendo a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a investigação sobre o Banco Master, o ministro da Justiça, Wellington Silva, viajará com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na tarde desta quinta-feira (3).
A aproximação ocorre após críticas dentro da Polícia Federal à postura do ministro, que é acusado internamente de não ter saído publicamente em defesa de Andrei diante dos questionamentos envolvendo sua atuação no caso.
O diretor-geral da PF entrou na mira após contestar uma determinação do ministro André Mendonça, relator do inquérito que investiga o Banco Master.
Lula cobrou apoio a Andrei
A falta de apoio público a Andrei Rodrigues também teria sido questionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana.
Segundo a apuração, Lula foi informado de que tanto Wellington Silva quanto o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam deixado o diretor-geral da PF sem respaldo em meio à crise.
O episódio teria provocado uma conversa dura entre o presidente e seus dois auxiliares, que ocupam posições estratégicas na condução do governo e na relação com a Polícia Federal.
PF questionou ordem de Mendonça
Andrei Rodrigues teria recorrido à Advocacia-Geral da União para contestar uma determinação de André Mendonça que exigia acesso a documentos relacionados à investigação sobre fraudes no INSS.
A apuração envolve, entre outros investigados, o filho do presidente Lula.
Segundo a versão apresentada pela PF, a solicitação de acesso aos documentos em formato bruto poderia representar uma interferência no trabalho dos investigadores. A corporação também teria manifestado preocupação com a possibilidade de que informações fossem organizadas de maneira a facilitar a localização e eventual divulgação de dados.
O episódio acabou ampliando a tensão entre a Polícia Federal e o Supremo.
Investigação chegou a Moraes
Outro episódio apontado como decisivo para a atual crise ocorreu durante a investigação sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo a apuração, André Mendonça determinou que a Polícia Federal identificasse o interlocutor de Vorcaro em conversas nas quais o banqueiro pedia proteção a pessoas identificadas como “Paulo” e “Andrei”.
A investigação teria concluído que os interlocutores eram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.
A descoberta de que a investigação havia chegado ao nome de Moraes teria levado o ministro a questionar Mendonça durante um encontro entre os dois. O episódio é apontado como um dos estopins da crise que passou a envolver integrantes do STF, a PF e a Procuradoria-Geral da República.
Vorcaro faz acusações contra policiais
Em depoimento conduzido por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, Daniel Vorcaro teria afirmado que foi pressionado por policiais para não revelar supostas relações com o diretor-geral da Polícia Federal.
Vorcaro teria feito acusações de possíveis relações impróprias envolvendo Andrei Rodrigues.
O diretor-geral da PF nega qualquer relação com o banqueiro e, segundo a apuração, afirma que Vorcaro não é uma pessoa confiável.
A crise ocorre enquanto diferentes versões sobre a condução das investigações e sobre a relação entre autoridades e o ex-banqueiro são analisadas pelas instituições envolvidas.
