O ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025. Os diálogos foram recuperados pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Vorcaro e constam de um relatório que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça.
Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na mesma conversa, questionou se o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha conhecimento da situação e se seria possível fazer alguma coisa.
No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a procurar o ministro e perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. Segundo o relatório, as mensagens fazem referência à possibilidade de uma ação da Polícia Federal contra o banqueiro.
Na noite de 17 de novembro, pouco antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Vorcaro enviou outra mensagem a Moraes, às 23h48: “To indo assinar com os investidores de fora e estou online”. Minutos depois, ele foi detido preventivamente enquanto tentava embarcar em um voo com destino a Dubai.
Vorcaro declarou gratidão a Moraes
Também foram identificadas mensagens nas quais Vorcaro demonstrava proximidade com o ministro. Em 14 de novembro, três dias antes da prisão, o banqueiro escreveu a Moraes: “Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”.
Na sequência, afirmou que sua família, funcionários, parceiros e amigos tinham uma “dívida de vida” com Moraes e sua família. A mensagem também fazia referência à continuidade de tratativas que os dois mantinham.
A PF informou ainda que as conversas entre Vorcaro e Moraes eram feitas por meio de mensagens temporárias. O banqueiro enviava capturas de tela de textos escritos no aplicativo de notas do celular, o que dificultou a recuperação integral dos diálogos.
Como as mensagens enviadas por Vorcaro foram recuperadas, mas as respostas de Moraes não constam do material obtido pela PF, o conteúdo disponível não permite, por si só, reconstruir toda a conversa entre os dois. O relatório, porém, apresenta os diálogos como elementos da investigação sobre a relação entre o banqueiro e o ministro.
O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades envolvendo o Banco Master. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou sobre o relatório e questionou a validade da investigação conduzida no STF.
Com informações de CNN Brasil.
