A Nasa lançou neste domingo (30) o telescópio espacial Nancy Grace Roman, desenvolvido para investigar planetas distantes, estrelas em explosão e buracos negros, além de realizar um dos maiores mapeamentos do universo já planejados.
O equipamento, avaliado em US$ 4,3 bilhões (cerca de R$ 22,3 bilhões), foi colocado em órbita pela SpaceX pouco depois do amanhecer. O lançamento ocorreu no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, utilizando um foguete Falcon Heavy.
Após o lançamento, o telescópio iniciou uma viagem até seu ponto de observação, localizado a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra. É aproximadamente a mesma região do espaço onde está o Telescópio Espacial James Webb.
Batizado em homenagem a Nancy Grace Roman, uma das primeiras mulheres a ocupar uma posição de liderança na Nasa, o novo observatório deve chegar ao destino em pouco mais de três meses. As primeiras imagens são esperadas para o início de 2027.
Roman terá campo de visão muito maior que o Hubble
Com dimensões semelhantes às de um ônibus, o Roman foi projetado para realizar observações de forma muito mais rápida do que o Hubble, lançado em 1990 e que atualmente opera com capacidades reduzidas devido ao desgaste provocado por décadas no espaço.
O novo telescópio terá um campo de visão mais de 100 vezes maior que o do Hubble, permitindo observar regiões muito mais extensas do universo em cada operação.
Segundo cientistas da Nasa, levantamentos que o Roman poderá realizar em apenas um mês poderiam levar cerca de um século para serem concluídos pelo Hubble.
A quantidade de dados produzida também deve aumentar significativamente. Em mais de 35 anos de operação, o Hubble acumulou aproximadamente 400 terabytes de informações. A expectativa é que o Roman produza mais de 500 terabytes de dados por ano.
Telescópio também poderá observar planetas diretamente
Entre os equipamentos do Roman está uma câmera infravermelha de amplo campo, que possui sensibilidade semelhante à do Hubble, mas pode realizar observações cerca de mil vezes mais rapidamente.
O telescópio também contará com um coronógrafo experimental, instrumento capaz de bloquear a luz de estrelas para facilitar a observação de objetos mais tênues próximos a elas.
A tecnologia poderá permitir que os cientistas obtenham imagens diretas de planetas que, normalmente, seriam ofuscados pelo brilho de suas estrelas.
O Roman também foi projetado para possibilitar um eventual reabastecimento. Caso um sistema robótico capaz de realizar esse tipo de operação esteja disponível na próxima década, a missão poderá ter sua vida útil prolongada.
Busca por respostas sobre matéria escura e energia escura
Uma das principais missões do novo telescópio será ajudar os cientistas a compreender melhor a matéria escura e a energia escura, componentes que representam a maior parte do universo, mas ainda não podem ser observados diretamente.
O enorme catálogo de galáxias que será produzido pelo Roman deverá ajudar os pesquisadores a medir com maior precisão a velocidade de expansão do universo e investigar a influência dessas forças ainda pouco compreendidas.
O Telescópio Espacial James Webb, lançado no fim de 2021, continuará atuando em conjunto com o Hubble e o Roman. Cada um dos observatórios foi desenvolvido para observar diferentes comprimentos de onda, permitindo que os astrônomos estudem o universo por perspectivas complementares.
Com informações de G1.
