A Polícia Federal investiga as relações entre o empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem da revista Veja publicada neste domingo (30), a empresa recebeu cerca de R$ 58 milhões em contratos com o governo federal desde o início do atual mandato.
Um dos três inquéritos da PF que envolvem Lulinha investiga relações com a Dataprev e inclui Ribas entre os personagens analisados. Segundo a reportagem, mensagens apreendidas pela polícia indicam que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger para tentar ampliar contratos da 3Structure com a Dataprev e com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
As mensagens também mostram Lulinha orientando Luchsinger a emitir uma nota fiscal para pagamento feito por Ribas. O conteúdo é analisado pelos investigadores no contexto da apuração sobre possível tráfico de influência. Até o momento, não há condenação de Lulinha por esse crime.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele tinha interesse em conversar com integrantes de outro ministério. O empresário respondeu que havia uma questão envolvendo a Dataprev. Segundo a reportagem, a lobista afirmou que verificaria quem estava no comando da estatal.
No mês seguinte, Luchsinger organizou um jantar que contou com a presença de Lulinha e Fernando Bittar, apontado como sócio do filho do presidente. Em uma mensagem, ela escreveu que a ideia seria Ribas contratar os serviços deles. Ainda em abril, a lobista mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu uma reunião com Lulinha e comentou sobre a posse do novo presidente da Dataprev.
Acordo penal de Ribas
Enquanto mantinha contatos com integrantes do governo, Ribas também respondia a uma investigação relacionada a fatos antigos.
Em setembro de 2024, o empresário firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público. O procedimento apurava fatos ocorridos entre 2006 e 2010, quando Adriano Niehues presidia o Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat).
Segundo o Ministério Público, Niehues teria recebido R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc., com intermediação de Ribas. O empresário nega irregularidades e classifica o episódio como um “mal-entendido”.
Entre as condições estabelecidas no acordo estavam a devolução de valores a uma entidade social, a comunicação de eventual mudança de endereço à Justiça e restrições relacionadas à frequência de determinados estabelecimentos.
Apesar do acordo, Ribas esteve no Palácio do Planalto em maio de 2024 e posteriormente firmou dois contratos com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, comandado pelo ministro Wellington Dias. O empresário afirma que os negócios foram realizados “dentro da legalidade”.
Relação com Lulinha
Ribas também afirmou à Veja que sua aproximação com Lulinha se intensificou depois que descobriu ter câncer, em junho de 2024.
Segundo o empresário, até então conhecia Fábio Luís, mas tinha pouco contato com ele. Ribas disse que a relação passou a ser de amizade e negou que houvesse vínculo financeiro entre os dois.
A reportagem integra uma série de apurações da Polícia Federal sobre possíveis relações entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar e a atuação de interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Lulinha é investigado em três inquéritos. Sua defesa afirma que ele colabora com as investigações e nega a prática de ilícitos. O presidente Lula também declarou que não pretende interferir nas apurações envolvendo o filho.
A Polícia Federal continua analisando mensagens, contratos e demais documentos relacionados ao caso.
Fonte: Diário do Poder