A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no sábado (29) que o país continua mantendo a propriedade e a soberania sobre suas reservas de petróleo. A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo que, segundo ele, daria aos americanos controle majoritário sobre a exploração de mais de 65 bilhões de barris venezuelanos.
“A Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos”, afirmou Rodríguez em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
Segundo a presidente interina, o acordo com os Estados Unidos terá duração de 25 anos e prevê investimentos no desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com participação de empresas e investidores estrangeiros.
Acordo prevê aumento da produção
De acordo com Rodríguez, o projeto tem como meta alcançar uma produção superior a 1,5 milhão de barris de petróleo por dia. Os investidores deverão fornecer capital, tecnologia e capacidade operacional para ajudar na recuperação da indústria petrolífera venezuelana, com prioridade para empresas americanas.
A presidente afirmou que a Venezuela poderá receber mais de US$ 209 bilhões em receitas ao longo do projeto, considerando o preço de US$ 65 por barril.
O acordo também prevê o desenvolvimento de oito blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, com royalties mínimos de 16%.
Rodríguez afirmou ainda que novos acordos poderão ser firmados com empresas como Chevron, Repsol, Shell, Eni e BPpara ampliar os investimentos e a produção.
Trump havia anunciado controle americano
Na sexta-feira (28), Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam o controle da exploração de reservas venezuelanas por meio de parcerias com empresas privadas.
O volume de 65 bilhões de barris citado no acordo representa cerca de 22% das reservas comprovadas da Venezuela, estimadas em 303 bilhões de barris.
Apesar da divergência entre os anúncios, Rodríguez afirmou que o objetivo do acordo é atrair recursos, tecnologia e infraestrutura para recuperar a capacidade produtiva do país.
Aproximação entre Caracas e Washington
O acordo ocorre em meio à aproximação entre os governos venezuelano e americano após a operação militar dos Estados Unidos que retirou Nicolás Maduro do poder e levou à sua prisão. Delcy Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro, assumiu o comando do país de forma interina.
A negociação também atende aos interesses do governo Trump de ampliar a oferta de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, além de recompor a reserva estratégica americana.
Venezuela avalia deixar a Opep
Paralelamente à aproximação com Washington, o governo venezuelano avalia a possibilidade de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo informações da Bloomberg.
A Venezuela é membro fundador da organização desde 1960, mas há anos enfrenta dificuldades para cumprir as cotas de produção estabelecidas pelo grupo devido à crise e à deterioração de sua indústria petrolífera estatal.
Uma eventual saída da Opep reforçaria a mudança na política energética venezuelana e a aproximação com os Estados Unidos.