A Islândia rejeitou, em referendo realizado neste domingo (30), a proposta de retomar as negociações para uma possível entrada na União Europeia (UE). Segundo a emissora pública RUV, 52,8% dos eleitores votaram contra a medida, enquanto 47,2% foram favoráveis. A participação chegou a 82,5%.
A proposta era defendida pelo governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, que considerava a aproximação com a UE uma forma de fortalecer a segurança econômica do país e ampliar sua proteção diante das disputas comerciais e do crescente interesse internacional pelo Ártico.
Pesca pesa na decisão
A atividade pesqueira foi um dos principais argumentos utilizados pelos defensores do “não”. O setor representa cerca de 15% do PIB islandês, considerando seus efeitos diretos e indiretos, e responde por aproximadamente 40% das receitas de exportação.
Parte da população teme que uma eventual entrada na União Europeia reduza o controle do país sobre suas águas territoriais e sobre as cotas de pesca.
O resultado também revelou uma divisão regional. Dos seis distritos eleitorais, apenas os dois localizados na região central de Reykjavik registraram maioria favorável à retomada das negociações. Áreas rurais e subúrbios da capital foram majoritariamente contrários.
Interesse dos EUA pelo Ártico influenciou debate
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia também entraram no debate. Trump voltou a defender que o território, atualmente pertencente à Dinamarca, deveria ficar sob controle americano.
Defensores da aproximação com a UE argumentaram que o cenário aumentava a necessidade de reforçar a segurança da Islândia e reduzir sua dependência da proteção dos Estados Unidos.
A Islândia faz parte da Otan, mas não possui forças armadas permanentes.
País já tentou entrar no bloco
A Islândia apresentou seu primeiro pedido de adesão à União Europeia em 2009, durante uma grave crise financeira. As negociações foram posteriormente interrompidas por um governo contrário à entrada no bloco, em 2013.
Nos últimos anos, o tema voltou ao debate nacional, especialmente diante da inflação e dos juros elevados. Os defensores da adesão argumentavam que uma aproximação com a UE poderia contribuir para reduzir esses impactos.
A líder da oposição, Guðrún Hafsteinsdóttir, que liderou a campanha pelo “não”, afirmou que os principais problemas econômicos da Islândia devem ser enfrentados internamente.
Com o resultado do referendo, a proposta de retomada das negociações com a União Europeia não recebeu apoio suficiente da população.