O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o habeas corpus apresentado pela defesa de Willian Barile Agati, apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos principais articuladores entre a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e organizações criminosas estrangeiras. Com a decisão, Agati permanece preso preventivamente.
Segundo as investigações, Agati teria atuado como intermediário entre integrantes do PCC e compradores de drogas no exterior, especialmente membros da máfia italiana ‘Ndrangheta. A defesa nega as acusações.
PF aponta atuação em rotas internacionais
De acordo com a investigação, Agati teria participado da organização de uma rota marítima para o transporte de cocaína entre o Brasil e a Europa. A droga seria escondida em cargas legítimas de produtos agrícolas embarcadas no Porto de Paranaguá (PR) com destino ao Porto de Valência, na Espanha.
Além da rota marítima, a PF afirma que o investigado também teria administrado uma rota aérea entre o Brasil e a Bélgica, utilizando aviões privados adaptados para transportar grandes quantidades de entorpecentes.
As investigações apontam ainda que Agati teria utilizado contatos no exterior para facilitar negociações envolvendo o tráfico internacional de drogas.
“Concierge” teria atuado na lavagem de dinheiro
O apelido de “concierge” atribuído pela PF estaria relacionado ao suposto papel desempenhado por Agati dentro da organização criminosa. Segundo as investigações, ele teria oferecido serviços e estruturas para facilitar as atividades do grupo, além de atuar na lavagem de dinheiro.
A PF afirma que o investigado criou ou utilizou empresas de fachada para ocultar e integrar recursos provenientes do tráfico de drogas à economia formal.
Ainda segundo a investigação, Agati teria disponibilizado jatos, veículos importados, imóveis de alto padrão e artigos de luxo para integrantes da organização criminosa.
A PF estima que ele tenha movimentado aproximadamente R$ 2 bilhões entre 2017 e 2024.
Investigado usava codinomes
Para manter contato com integrantes de organizações criminosas, Agati teria utilizado o aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC.
Segundo a investigação, ele utilizava codinomes como “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy” nas comunicações.
A PF também investiga supostas relações de Agati com pessoas que poderiam facilitar operações internacionais. Entre os episódios citados está uma tentativa de obtenção de uma carteira falsa de cônsul para auxiliar no resgate de Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho, apontado como integrante da cúpula do PCC.
Relação com o Cruzeiro também foi investigada
Outro episódio citado nas investigações envolve o Cruzeiro. Segundo a PF, Agati teria repassado R$ 5 milhões ao clube em 2021, em uma operação que teria sido investigada sob suspeita de lavagem de dinheiro.
O Cruzeiro Associação e o então presidente Sérgio Santos Rodrigues negaram irregularidades. O clube confirmou o recebimento do valor, mas afirmou que se tratava de um empréstimo legal, posteriormente devolvido com juros entre 2021 e 2022.
Prisão ocorreu durante a Operação Mariusi
Agati foi preso em janeiro de 2025, durante a primeira fase da Operação Mariusi, da Polícia Federal, que investigou uma organização suspeita de tráfico internacional de grandes quantidades de cocaína para a Europa.
Posteriormente, ele foi transferido para o Presídio Federal de Brasília, onde também está preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança do PCC.
Defesa contesta prisão e provas
A defesa de Agati nega as acusações e afirma que a prisão preventiva não apresenta contemporaneidade suficiente para justificar a medida.
O advogado Eduardo Maurício também questiona a validade das provas obtidas a partir das comunicações do aplicativo Sky ECC e sustenta que deve ser respeitado o princípio da presunção de inocência.
Com a decisão de Nunes Marques, entretanto, Agati continuará preso preventivamente enquanto o processo segue em tramitação.
