A divulgação de uma nova pesquisa do instituto Quaest, apontando um cenário de empate na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, voltou a colocar sob debate o histórico dos levantamentos realizados pela empresa. Episódios envolvendo questionamentos metodológicos, decisões da Justiça Eleitoral e diferenças entre projeções e resultados das urnas reforçam a necessidade de cautela na interpretação dos números.
Um dos casos de maior repercussão ocorreu em Teresina (PI). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve multa de R$ 53.205 aplicada à Quaest por irregularidades relacionadas à ausência de informações sobre os bairros abrangidos por uma pesquisa eleitoral realizada durante o pleito municipal de 2024.
Naquela eleição, os levantamentos indicavam vantagem do candidato Fábio Novo (PT). O resultado das urnas, porém, foi diferente: Sílvio Mendes venceu a disputa ainda no primeiro turno, frustrando as projeções favoráveis ao petista.
Natal também registrou diferença entre pesquisa e urnas
No Rio Grande do Norte, outro episódio chamou atenção nas eleições municipais de Natal em 2024. Pesquisas da Quaest chegaram a apresentar Carlos Eduardo (PSD) em posição de liderança e com vantagem relevante durante a campanha.
Quando os votos foram contabilizados, entretanto, o resultado mostrou cenário distinto: Carlos Eduardo terminou fora do segundo turno, disputado por Paulinho Freire e Natália Bonavides.
As diferenças entre pesquisas e resultados eleitorais também foram objeto de debate na eleição presidencial de 2022. Às vésperas do primeiro turno, levantamento da Quaest indicava vantagem de aproximadamente 11 pontos percentuais de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro. Nas urnas, Lula obteve 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Bolsonaro — diferença de cerca de 5,2 pontos percentuais.
Nova pesquisa no RN ouviu 800 eleitores
Agora, a Quaest volta ao centro das atenções no Rio Grande do Norte ao divulgar levantamento indicando um cenário de forte equilíbrio na corrida pelo Governo do Estado.
A pesquisa ouviu 800 eleitores, amostra utilizada pelo instituto para projetar as intenções de voto no conjunto do eleitorado potiguar.
Embora o tamanho de uma amostra não determine sozinho a qualidade de uma pesquisa — que também depende de fatores como metodologia, distribuição territorial, perfil dos entrevistados, ponderações e margem de erro —, o histórico recente do instituto e a condenação mantida pela Justiça Eleitoral no caso do Piauí acrescentam elementos ao debate sobre a interpretação dos resultados.
Diante disso, os números da nova pesquisa devem ser analisados dentro de sua margem de erro, metodologia e período de realização, evitando que uma fotografia momentânea do eleitorado seja interpretada como uma previsão definitiva do resultado das urnas.
Por Júnior Melo