O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou nesta sexta-feira (21) a suspensão das negociações com os Estados Unidos para tentar alcançar um acordo sobre as tarifas de 50% impostas por Washington a produtos canadenses.
Carney afirmou que o Canadá adotará medidas de retaliação para proteger empresas e trabalhadores do país. Segundo ele, as tarifas canadenses serão aplicadas de forma equivalente às cobradas pelos Estados Unidos, no modelo “dólar por dólar”.
Negociações são interrompidas
De acordo com o primeiro-ministro, as conversas entre os dois países haviam registrado avanços nas últimas semanas. Na terça-feira (18), o presidente americano Donald Trump chegou a adiar por três dias o início da cobrança das tarifas, diante da expectativa de progresso nas negociações.
Carney, porém, afirmou que os Estados Unidos alteraram as condições apresentadas no fim das tratativas, tornando um acordo inviável.
Segundo o premiê canadense, as mudanças de última hora foram consideradas “injustas” e “economicamente inviáveis”, além de colocarem em dúvida a confiança em um eventual acordo.
Canadá diz que relação com os EUA mudou
Carney afirmou ainda que o governo canadense já reconhecia que a relação comercial entre os dois países não voltaria ao modelo anterior.
Para o primeiro-ministro, os Estados Unidos estão promovendo uma mudança ampla em sua política comercial, incluindo a adoção de tarifas contra aliados tradicionais e a cobrança pelo acesso ao mercado americano.
EUA contestam versão canadense
Em comunicado, o governo dos Estados Unidos afirmou que o Canadá não aceitou os termos do acordo que haviam sido discutidos no início da semana.
Washington declarou que a proposta americana previa uma parceria mais ampla nas áreas de segurança econômica e nacional, incluindo cooperação em controles de exportação, combate ao reembarque de produtos, comércio digital e alinhamento de determinadas tarifas externas.
Com a suspensão das negociações, aumenta o risco de uma nova escalada na disputa comercial entre os dois países, que possuem uma das relações econômicas mais integradas do mundo.
