O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao compartilhar nas redes sociais uma montagem que reúne atuais e ex-líderes políticos associados à esquerda na América Latina e em outros países.
A imagem, republicada por Milei na terça-feira (18), traz Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff e diversas outras figuras políticas. A publicação original classifica o grupo como o “tumor mais difícil de extirpar da história” e critica o que chama de “socialismo empobrecedor do século XXI”.
Ao compartilhar o conteúdo, Milei comparou a montagem a um “trem fantasma” e escreveu: “Se você entrar no túnel, não sabe o medo que seu bolso vai carregar… Isso se você conseguir sair vivo da experiência”.
Entre os políticos retratados estão os venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro; os argentinos Cristina Kirchner e Néstor Kirchner; Rafael Correa, do Equador; Evo Morales, da Bolívia; José Mujica, do Uruguai; Manuel Zelaya, de Honduras; e Andrés Manuel López Obrador, do México.
Também aparecem na montagem Daniel Ortega, da Nicarágua; Gustavo Petro, da Colômbia; Claudia Sheinbaum, do México; Raúl Castro, de Cuba; e Pedro Castillo, do Peru.
A imagem inclui ainda políticos espanhóis, como o primeiro-ministro Pedro Sánchez, o ex-chefe de governo José Luis Rodríguez Zapatero, Pablo Iglesias e Juan Carlos Monedero. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, também aparece.
Novas críticas a Lula
A publicação ocorre após uma sequência de críticas de Milei ao presidente brasileiro.
Em 10 de agosto, o argentino compartilhou uma publicação do deputado norte-americano Carlos A. Giménez na qual Lula era alvo de ataques e foi chamado de “porco”.
Poucos dias antes, em 2 de agosto, Milei havia chamado Lula de “ladrão” e “corrupto” durante uma entrevista à emissora argentina LN+.
Na ocasião, o presidente argentino também criticou a anulação das condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato e afirmou que o petista teria sido beneficiado por uma “falha no processo jurídico”.
Críticas ocorrem em meio a dificuldades econômicas na Argentina
A nova manifestação de Milei ocorre em meio a dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina e à adoção de medidas de austeridade pelo governo.
Sindicatos, movimentos sociais e organizações de cidadãos endividados convocaram uma manifestação para quinta-feira (20), em Buenos Aires, com destino ao Ministério da Economia. Os grupos pretendem protestar contra o aumento do endividamento e a perda do poder de compra.
Dados do Banco Central argentino indicam que milhões de pessoas possuem empréstimos pendentes ou enfrentam atrasos significativos em dívidas contraídas por canais oficiais.
O país também continua enfrentando pressão inflacionária. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), a inflação argentina ficou em 2,1% em julho de 2026, acumulando 19,3% nos primeiros sete meses do ano e 33,8% em 12 meses.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego chegou a 7,8% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a subocupação ficou em 11,1%.