As Forças Armadas do Canadá adotaram uma nova diretriz que restringe referências religiosas em cerimônias oficiais. Publicado em 29 de julho de 2026, o documento determina que as chamadas “reflexões espirituais” não utilizem linguagem específica de uma religião, incluindo menções a Deus.
A regra se aplica aos integrantes das Forças Armadas Canadenses e também a funcionários, voluntários, estudantes, prestadores de serviços e outras pessoas que atuem em atividades de apoio espiritual ou religioso dentro da instituição.
Segundo a orientação, as reflexões devem ter caráter inclusivo e abordar temas como resiliência, propósito, esperança, gratidão, memória e integridade, sem favorecer uma tradição religiosa específica.
Orações dão lugar a reflexões
A mudança vale para cerimônias públicas ou semipúblicas nas quais militares participem oficialmente como representantes das Forças Armadas e do governo canadense.
Caso uma oração ou manifestação religiosa seja solicitada durante um evento oficial, os capelães deverão apresentar uma “reflexão espiritual” em seu lugar.
A determinação abrange cerimônias como formaturas, mudanças de comando, comissionamento de navios, inaugurações, premiações, jantares institucionais e eventos militares, incluindo o Remembrance Day, data dedicada à memória dos militares mortos em conflitos.
A diretriz também orienta que militares que façam pronunciamentos oficiais não utilizem símbolos ou práticas específicas de uma determinada tradição religiosa.
Medida é justificada pela neutralidade religiosa
As Forças Armadas afirmam que a medida está relacionada ao princípio de neutralidade religiosa do Estado e à liberdade de crença, incluindo o direito daqueles que não possuem religião.
A instituição argumenta que, ao representar o governo, seus integrantes devem evitar manifestações que possam ser interpretadas como favorecimento de determinada crença.
A restrição, porém, não impede que militares façam orações individualmente. O documento prevê momentos de oração privada ou contemplação pessoal de acordo com as convicções de cada integrante.
Capelães continuam autorizados a orar
A nova regra também não proíbe a prática religiosa dentro das Forças Armadas.
Capelães continuam autorizados a oferecer assistência religiosa em atendimentos privados, aconselhamentos, reuniões específicas de determinada fé, cultos e cerimônias religiosas.
O Serviço Real de Capelania Canadense permanece responsável pelo atendimento espiritual, religioso e pastoral dos militares e de suas famílias, respeitando as diferentes tradições religiosas.
Assim, a mudança concentra-se principalmente em cerimônias oficiais que representam institucionalmente as Forças Armadas, nas quais a orientação passa a exigir uma abordagem religiosamente neutra.
