Ossos encontrados no fundo do Canal de Penghu, entre Taiwan e a China, voltaram a alimentar discussões nas redes sociais sobre a existência de antigos grupos humanos e uma possível relação com o relato bíblico do dilúvio. No entanto, pesquisadores não estabeleceram uma ligação científica entre os fósseis e o episódio descrito na Bíblia.
O material encontrado na região pertence a um grupo de hominínios conhecido como denisovanos, uma população humana arcaica que viveu em diferentes áreas da Ásia e que se separou da linhagem que deu origem aos neandertais.
Os denisovanos são conhecidos principalmente por evidências genéticas e fósseis encontrados na Ásia. Pesquisas indicam que esse grupo apresentava características físicas distintas das populações humanas atuais e teve contato e cruzamento com outros grupos humanos antigos.
Uma das discussões que voltou a circular após a descoberta envolve o tamanho desses indivíduos. Algumas interpretações populares afirmam que os denisovanos poderiam ter sido muito mais altos que os humanos modernos e chegam a relacioná-los aos “nefilins”, personagens mencionados no livro de Gênesis como seres associados a grande estatura.
Entretanto, essa associação não é aceita pela arqueologia ou pela antropologia como uma identificação comprovada. Também não há evidência científica de que os denisovanos fossem os “gigantes” mencionados na Bíblia.
Ossos no fundo do mar
O fato de restos de antigos hominínios terem sido encontrados em uma área atualmente submersa também despertou especulações sobre o dilúvio bíblico.
O pesquisador Jimmy Corsetti, conhecido por defender interpretações alternativas sobre acontecimentos descritos em textos antigos, afirmou que a localização dos restos poderia ser considerada um indício compatível com a ocorrência de uma grande inundação.
A interpretação, porém, é controversa. A presença de fósseis no fundo do mar não constitui, por si só, evidência de um dilúvio global. Mudanças no nível dos oceanos, movimentos tectônicos e outros processos geológicos podem explicar por que regiões que foram habitadas no passado atualmente estão submersas.
O que a ciência diz sobre os denisovanos
Os denisovanos foram identificados inicialmente a partir de material encontrado na Caverna de Denisova, na Sibéria. Estudos posteriores demonstraram que eles constituíam uma linhagem humana distinta dos neandertais e dos humanos modernos.
Fragmentos fósseis e evidências genéticas mostram que esses grupos viveram na Ásia e chegaram a cruzar com populações ancestrais de Homo sapiens. Parte do DNA denisovano permanece presente em populações humanas atuais, especialmente em algumas regiões da Ásia e da Oceania.
A interpretação científica, portanto, reconhece os denisovanos como uma população humana arcaica, mas não estabelece relação entre eles e os nefilins da Bíblia.
O debate sobre uma possível conexão com o dilúvio permanece, assim, no campo das interpretações religiosas e especulativas. Até o momento, não existe evidência arqueológica ou geológica consensual que permita afirmar que os ossos encontrados no Canal de Penghu sejam consequência do dilúvio narrado no livro de Gênesis.
