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Início Brasil

Novo anúncio dos EUA preocupa países da América Latina; VEJA

Por Junior Melo
14/ago/2026
Em Brasil, Mundo
Foto: WHoP

Foto: WHoP

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O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13), durante visita ao Panamá, que o governo norte-americano pretende ampliar para operações terrestres na América Latina a estratégia militar utilizada contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.

“Como você viu com as ofensivas contra barcos de organizações de tráfico de drogas, será o mesmo efeito em terra”, disse Hegseth.

De acordo com o secretário, os Estados Unidos mantêm negociações com Colômbia, Equador e outros países parceiros para ampliar o combate às organizações criminosas dentro dos territórios e nas áreas próximas a essas nações.

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“Em qualquer lugar em que você trafique drogas, ameace o povo americano ou nossos parceiros, você é um alvo, assim como o Isis (Estado Islâmico) ou a Al-Qaeda”, declarou.

Colômbia entra na coalizão liderada pelos EUA

Nesta semana, a Colômbia passou a integrar a Coalizão das Américas contra os Cartéis, iniciativa liderada pelos Estados Unidos com o objetivo de ampliar a cooperação militar no combate ao crime organizado transnacional. O país se tornou o 19º integrante da aliança.

Segundo Hegseth, o governo colombiano, comandado pelo presidente Abelardo de la Espriella, autorizou operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra organizações ligadas ao narcotráfico e grupos considerados terroristas pelo governo norte-americano.

A coalizão conta com países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras, Paraguai e Peru. A maior parte dos governos participantes mantém alinhamento com Washington.

Brasil e México não fazem parte da iniciativa. No caso mexicano, a ausência ocorre apesar da atuação de organizações criminosas envolvidas no tráfico internacional de drogas.

Mais de 215 pessoas morreram em ataques a embarcações

Desde setembro do ano passado, os Estados Unidos vêm realizando ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico oriental. Os balanços mais recentes apontam mais de 215 mortos nas operações.

Hegseth indicou que a ampliação da ofensiva poderá atingir diferentes organizações criminosas. Entre os possíveis alvos estão redes envolvidas no tráfico de cocaína, grupos ligados ao comércio de fentanil no México e remanescentes de guerrilhas colombianas. O secretário classificou esses grupos como “alvos legítimos”.

A possibilidade de expansão das operações militares americanas na região já provocou manifestações de preocupação por parte de governos latino-americanos de esquerda.

Petro criticou possível ação unilateral

Quando ainda ocupava a Presidência da Colômbia, Gustavo Petro criticou, em março, a possibilidade de os Estados Unidos realizarem operações unilaterais contra os cartéis.

“Os Estados Unidos não precisam agir sozinhos para acabar com os cartéis de droga, pois não saberiam como fazê-lo bem”.

No Brasil, integrantes do alto escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já afirmaram que uma eventual classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas por Washington poderia aumentar as pressões sobre a soberania brasileira.

Especialistas em direito internacional ouvidos pela imprensa, contudo, avaliam que os Estados Unidos não possuem base legal para enviar tropas ao território brasileiro sem autorização do governo.

México também enfrenta tensão com Washington

No México, a presidente Claudia Sheinbaum mantém uma postura mais cautelosa nas negociações com os Estados Unidos. O governo mexicano, porém, já enfrentou um episódio de tensão envolvendo a atuação de agentes da CIA no país sem autorização prévia.

O caso ocorreu após dois agentes morrerem em um acidente de carro em abril, episódio que aumentou o atrito entre os governos de Washington e da Cidade do México.

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