Bombardeiros estratégicos Boeing B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) deixaram a Base Aérea de Minot, na Dakota do Norte, nesta terça-feira (11), com destino ao Cone Sul para uma missão de treinamento de longa duração envolvendo as forças aéreas da Argentina e do Chile.
Dados de rastreamento aéreo e informações de fontes especializadas identificaram pelo menos duas aeronaves, com os indicativos CURD12 e CURD13, seguindo em direção à América do Sul. Um terceiro B-52H estaria sendo mantido como aeronave de reserva.
A atividade faz parte do conceito Bomber Task Force (BTF), utilizado pela USAF para demonstrar a capacidade de deslocar rapidamente seus bombardeiros estratégicos para diferentes regiões e realizar operações integradas com forças aéreas de países parceiros.
Até o momento da publicação, a Força Aérea dos Estados Unidos não havia divulgado um comunicado oficial com detalhes sobre a missão no Cone Sul.
Voo pode durar cerca de 29 horas
Segundo informações divulgadas pelo site AEROIN, o percurso completo deverá durar aproximadamente 29 horas, considerando a saída e o retorno à Base Aérea de Minot. Não estão previstos pousos dos bombardeiros durante o trajeto.
O planejamento indica que os B-52 seguirão em direção ao norte do Chile, passando pela região do Deserto do Atacama, antes de ingressarem no espaço aéreo argentino.
A região de Río Cuarto, na província argentina de Córdoba, aparece como o ponto mais ao sul previsto para a operação. O local abriga atualmente os primeiros caças F-16A/B Fighting Falcon incorporados pela Fuerza Aérea Argentina.
Os seis primeiros F-16 operacionais chegaram à Área de Material Río IV em dezembro de 2025. Enquanto isso, continuam as obras para preparar a futura operação da frota na VI Brigada Aérea de Tandil.
A missão ocorrerá a oeste do território brasileiro. Conforme a programação conhecida, não está prevista a participação da Força Aérea Brasileira nem a entrada dos B-52 no espaço aéreo do Brasil.
Reabastecimento será realizado durante o voo
A longa distância a ser percorrida pelos bombardeiros exigirá uma estrutura de apoio composta por aeronaves de reabastecimento. Pelo menos sete KC-135R Stratotanker da USAF, operados a partir da Base Aérea de MacDill, na Flórida, deverão auxiliar no abastecimento dos B-52 durante a missão.
Também está prevista a participação de aeronaves KC-135E Stratotanker da Fuerza Aérea de Chile (FACh).
O Chile já possui experiência recente em operações integradas com aeronaves americanas. Durante o exercício Salitre 2026, realizado em julho, um KC-135E chileno realizou quatro contatos com um F-16D Block 40 da USAF e transferiu aproximadamente 18 mil libras de combustível durante um voo de oito horas.
A capacidade de reabastecimento da FACh também foi demonstrada em abril, quando um KC-135E chileno realizou o primeiro abastecimento em voo de caças F-35A americanos por uma aeronave-tanque chilena durante o deslocamento para a FIDAE 2026.
F-16 da Argentina e do Chile devem participar
Durante a passagem pelo Chile, os B-52 deverão realizar voos em formação e procedimentos de integração com caças F-16 Fighting Falcon da FACh.
Na Argentina, a previsão é de que os bombardeiros também realizem exercícios semelhantes com os F-16 recém-incorporados pela Fuerza Aérea Argentina.
A atividade ocorre cerca de oito meses após a chegada dos primeiros F-16 ao país e representa uma etapa importante para a integração da nova frota argentina com forças estrangeiras.
A Argentina adquiriu 24 aeronaves que pertenciam anteriormente à Dinamarca, recuperando uma capacidade de caça supersônica que havia sido reduzida após a retirada dos Mirage em 2015. Segundo o governo argentino, os F-16 poderão atuar em missões de defesa aérea, interdição, ataque marítimo, inteligência e vigilância.
O Chile possui uma frota de F-16 mais consolidada e já realiza exercícios de interoperabilidade com os Estados Unidos. Em julho, o Salitre 2026 reuniu aeronaves de combate do Chile, Estados Unidos, Brasil, Argentina, Colômbia e Paraguai em um dos maiores exercícios aéreos multinacionais realizados na América do Sul.
B-52 amplia capacidade de projeção dos EUA
As aeronaves envolvidas na missão pertencem ao 5º Bomb Wing, unidade sediada em Minot e subordinada ao Air Force Global Strike Command. O grupo opera os B-52H em missões convencionais e estratégicas de alcance global.
Segundo a própria USAF, o B-52H possui alcance de combate superior a 8.800 milhas, aproximadamente 14.160 quilômetros, sem necessidade de reabastecimento. A aeronave pode operar a altitudes próximas de 50 mil pés e transportar armamentos convencionais de precisão ou armas nucleares.
O reabastecimento em voo amplia ainda mais a capacidade de alcance dos bombardeiros. Uma missão estimada em quase 29 horas entre a Dakota do Norte e o Cone Sul demonstra justamente essa característica.
Além de treinar as tripulações dos B-52, a operação envolve aeronaves-tanque, controladores, equipes de planejamento e estruturas de comando de diferentes países. A atividade permite testar uma cadeia logística semelhante à necessária para deslocamentos estratégicos de longa distância.
A presença dos bombardeiros americanos também amplia a cooperação militar dos Estados Unidos com Argentina e Chile. Após o exercício Salitre 2026 e a entrada em operação dos primeiros F-16 argentinos, a missão acrescenta à integração regional uma aeronave capaz de partir do território americano, alcançar a América do Sul, operar em conjunto com caças locais e retornar à sua base sem realizar pouso no continente.