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Início Justiça

Chefe da PF sai de férias em meio a crise com Mendonça

Por Junior Melo
10/ago/2026
Em Justiça
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

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Em meio à crise com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, saiu de férias por uma semana. O período de descanso já estava programado e foi mantido mesmo diante do impasse entre a PF e o ministro.

A crise começou após Mendonça determinar que a Polícia Federal encaminhe ao gabinete dele todos os documentos ainda em estado bruto relacionados às investigações da chamada “Farra do INSS”, esquema que teria desviado recursos de aposentados e pensionistas.

Entre os investigados está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, Mendonça também pediu a assessores que reunissem informações para verificar se o diretor-geral da PF teria cometido eventual obstrução de Justiça.

PF questiona decisões de Mendonça

A Polícia Federal entende que a determinação de entregar o material bruto das investigações ao ministro ultrapassa os limites previstos para a atuação judicial e pode afetar a autonomia dos delegados responsáveis pelos inquéritos.

Todos os superintendentes da PF assinaram um documento manifestando posição contrária à medida.

Mendonça também determinou que qualquer mudança de delegado na equipe responsável pela investigação passe por autorização de seu gabinete. Para a PF, a exigência interfere na autonomia do trabalho policial.

O ministro, por outro lado, sustenta que a medida busca evitar possíveis interferências políticas em uma investigação que envolve pessoas próximas ao presidente Lula, incluindo seu filho e um ex-chefe de gabinete.

AGU tenta mediar crise

Diante do agravamento do impasse, os ministros Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), e Wellington César, da Justiça, atuaram para tentar reduzir a tensão entre Mendonça e Andrei Rodrigues.

A estratégia inclui promover um encontro entre o ministro do STF e o diretor-geral da PF. Até o momento, porém, não há data definida para a reunião.

Apesar da tentativa de diálogo, a AGU decidiu não questionar judicialmente a determinação de Mendonça, mesmo após ser acionada pela Polícia Federal.

O ponto central da disputa

O principal conflito está relacionado ao acesso do ministro ao material bruto apreendido durante as investigações.

Com acesso ao acervo completo, incluindo documentos e eventuais conversas telefônicas, a equipe de Mendonça poderia realizar buscas para verificar se determinados nomes aparecem entre os elementos coletados pela PF.

A Polícia Federal argumenta que não haveria justificativa para o ministro ter acesso irrestrito a esse conteúdo antes da conclusão do trabalho investigativo. A corporação sustenta que cabe à PF conduzir as investigações, ao Ministério Público avaliar eventual denúncia e ao Judiciário exercer a função de julgar.

Mendonça, por sua vez, entende que o acompanhamento mais próximo é necessário diante da relevância e da sensibilidade do caso.

Enquanto Andrei Rodrigues cumpre a semana de férias já programada, o impasse entre o Supremo e a Polícia Federal permanece sem uma solução definitiva.

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