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Início Mundo

Estreito de Ormuz: Irã condiciona reabertura a concessões dos EUA

Por Junior Melo
10/ago/2026
Em Mundo
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista à CNN  • CNN via CNN Newsource

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista à CNN • CNN via CNN Newsource

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O Irã afirmou que está perto de concluir um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação entre os dois países pelo Estreito de Ormuz. Apesar do avanço nas negociações, Teerã reforçou que a retomada da passagem marítima dependerá do cumprimento de exigências por parte dos Estados Unidos, entre elas o pagamento de compensações, o fim das sanções e a suspensão de ameaças militares.

Um funcionário americano afirmou à Reuters na sexta-feira (7) que Irã e Omã estavam próximos de chegar a um entendimento que poderia permitir a retomada da passagem segura pelo estreito. A região é considerada estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás e foi bloqueada pelo Irã após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o país, iniciados no fim de fevereiro.

No domingo (9), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que as negociações com Omã estavam nos “estágios finais”. Ao mesmo tempo, reiterou que Teerã não pretende reabrir o Estreito de Ormuz antes que Washington cumpra determinadas condições apresentadas pelo governo iraniano.

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Segundo a agência iraniana Mehr, o acordo com Omã deverá estabelecer as novas rotas marítimas que serão utilizadas após o cumprimento das exigências americanas e a eventual reabertura do estreito.

Irã e Estados Unidos não mantêm negociações diretas. Araghchi afirmou que Teerã não pretende iniciar conversas formais enquanto Washington continuar violando um acordo provisório firmado em junho. De acordo com o chanceler, mensagens entre os dois países continuam sendo transmitidas por meio de intermediários.

O presidente americano Donald Trump afirmou, em entrevista à Axios, que os Estados Unidos estavam “mantendo um perfil discreto” em relação ao Irã. “Estamos apenas negociando parcialmente com eles. Estamos apenas observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de que eles não têm dinheiro.”

Exigências iranianas

Araghchi afirmou que uma possível reabertura do Estreito de Ormuz também dependerá de uma compensação financeira dos Estados Unidos pelos danos provocados pelos ataques contra o território iraniano.

O secretário do principal órgão de segurança nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, apresentou outras condições defendidas por Teerã. Entre elas estão o fim de novas ameaças americanas contra o Irã, a interrupção das ações militares contra o país e seus aliados no Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque, além da retirada do bloqueio naval americano no Golfo.

A lista também inclui o levantamento das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos que permanecem congelados.

Os Estados Unidos e Israel realizam ataques aéreos contra o Irã há mais de cinco meses. Segundo Trump, as ações tinham como objetivo impedir o desenvolvimento de armas nucleares pela República Islâmica e reduzir sua capacidade de representar uma ameaça para a região.

Washington e Teerã haviam chegado a um cessar-fogo em junho. No entanto, os Estados Unidos retomaram em julho um bloqueio à navegação iraniana no Golfo, medida que o governo iraniano classificou como uma violação da trégua, que já havia entrado em colapso naquele período.

Um funcionário americano ouvido pela Reuters afirmou que os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos assim que fosse anunciado um acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos.

Segundo a mesma fonte, as medidas americanas estariam condicionadas ao cumprimento, pelo Irã, dos compromissos assumidos em um eventual acordo.

As declarações indicam que a negociação poderá envolver uma sequência complexa de etapas. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o possível acordo aparentemente daria ao Irã controle sobre o tráfego de embarcações que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz. Armadores, no entanto, consideram difícil implementar esse modelo.

No sábado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram que o Irã havia atacado uma embarcação ligada à empresa estatal de petróleo do país. O governo iraniano não comentou imediatamente o caso. A Guarda Revolucionária do Irã já havia realizado anteriormente ataques contra embarcações que, segundo as autoridades iranianas, tentavam atravessar o estreito sem autorização.

Ataques houthis ampliam tensão regional

A escalada envolvendo o Estreito de Ormuz ocorre paralelamente ao aumento dos ataques realizados pelos houthis, grupo aliado do Irã baseado no Iêmen. Os rebeldes têm atacado embarcações em outra região estratégica para o transporte internacional de petróleo, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.

No mês passado, os houthis também anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho. O grupo afirmou que a medida seria uma resposta ao suposto cerco saudita no Iêmen. Riad nega a acusação e apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente.

No domingo, os rebeldes houthis afirmaram ter realizado um ataque contra a refinaria de Jazan, pertencente à Saudi Aramco. A ofensiva ocorreu dois dias depois de a Arábia Saudita assinar um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, países de maioria muçulmana sunita, em meio ao aumento das tensões provocadas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou a ocorrência de um incêndio na refinaria e informou que as chamas foram controladas. Não houve registro de feridos. A pasta, porém, não informou o que teria provocado o incêndio.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou que o novo acordo de defesa não foi firmado especificamente contra o Irã ou qualquer outro país. Segundo ele, o pacto representa um compromisso mais amplo de cooperação em segurança.

Enquanto isso, os confrontos entre os houthis e as forças do governo iemenita se intensificaram. Na segunda-feira (10), militares do Iêmen informaram que sete pessoas, entre civis e integrantes das forças de segurança, morreram em um ataque realizado pelos houthis contra a cidade portuária de Mocha, localizada no Mar Vermelho.

As forças de defesa aérea afirmaram ter interceptado e derrubado 11 drones houthis utilizados durante o ataque, segundo informações divulgadas pelo Exército.

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