Durante o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado neste domingo (09), Fernando Haddad (PT) rebateu uma declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao discutir possíveis medidas de combate ao crime organizado no estado.
Ao comentar uma fala anterior de Haddad, Tarcísio afirmou que o petista havia participado de um evento ao lado do “traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho”.
Haddad respondeu questionando a relação apontada pelo governador e afirmou que, caso soubesse que a pessoa mencionada tinha envolvimento com o crime, teria tomado providências.
“Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? Se você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então você respeita, abaixa essa bola”, declarou o candidato.
O episódio citado por Tarcísio ocorreu em setembro de 2025, durante um discurso na periferia de São Paulo. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dividiu o palanque com Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho e apontado como suspeito de liderar o tráfico de drogas do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região central da capital paulista.
Haddad e Tarcísio também discutem tarifa dos EUA
No segundo bloco do debate, durante as perguntas feitas por jornalistas, Haddad foi questionado sobre os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e sobre quais medidas poderiam ser adotadas para enfrentar os efeitos da política comercial americana.
Na resposta, o candidato fez referência a um episódio em que Tarcísio apareceu usando um boné com o slogan de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “Make America Great Again”.
“O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil. Fortalecer o poder central a soberania brasileira. Ajudar o Brasil a deslocar as exportações”, afirmou Haddad.
Na réplica, Tarcísio não mencionou o episódio do boné e concentrou sua fala nas ações adotadas pelo governo paulista para tentar reduzir os impactos das tarifas sobre a economia.
“As tarifas impostas pelos Estados Unidos prejudicam muito o Brasil, em especial o Estado de São Paulo”, declarou o governador.
O uso do boné voltou a ser tema nesta semana, quando Tarcísio foi questionado sobre o assunto em entrevista à RedeTV!. O governador explicou que utilizou o acessório durante a posse do presidente americano e afirmou que o episódio não deveria ser relacionado às medidas adotadas posteriormente pelo governo dos Estados Unidos.
Questionado se voltaria a usar o boné, Tarcísio respondeu: “Não, mas eu acho que isso [uso do boné da posse] não tem nada a ver com aquilo que vem depois.”
