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Início Mundo

EUA buscam possível sucessor para Cuba antes de eventual operação contra Raúl Castro

Por Junior Melo
08/ago/2026
Em Mundo
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O governo de Donald Trump está tentando identificar, dentro ou fora da estrutura de poder cubana, uma liderança que poderia assumir o comando de Cuba em um eventual cenário de afastamento de Raúl Castro. A movimentação ocorre enquanto Washington aumenta a pressão econômica e política sobre Havana.

Segundo autoridades americanas ouvidas pela imprensa dos EUA, a Casa Branca procura uma figura considerada pragmática e disposta a trabalhar com Washington. A ideia seria encontrar uma alternativa semelhante ao papel desempenhado por Delcy Rodríguez na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro.

A estratégia, porém, enfrenta dificuldades. Agências de inteligência dos Estados Unidos avaliam que o sistema político cubano possui características que o aproximam mais do Irã do que da Venezuela. Isso significa que uma eventual mudança de liderança poderia não resultar na ascensão de uma figura moderada ou favorável aos interesses americanos.

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Pressão sobre Havana

O governo Trump tem alternado entre a tentativa de negociar com o regime cubano e a preparação de medidas para pressioná-lo ou provocar uma mudança em sua estrutura de poder.

Washington apresentou exigências ao governo de Havana, entre elas a abertura da economia cubana, maior espaço para empresas americanas, a compra de petróleo dos Estados Unidos e a retirada de agentes de inteligência russos e chineses do país.

Em contrapartida, os Estados Unidos avaliam oferecer incentivos, como ampliação da ajuda humanitária e eventual redução de sanções econômicas.

Até o momento, porém, o governo cubano não demonstrou disposição para atender integralmente às exigências americanas. Embora Havana tenha anunciado medidas para ampliar a participação da iniciativa privada na economia, as mudanças são consideradas insuficientes por Washington.

Quem poderia assumir o poder?

A dificuldade em encontrar uma liderança aceitável para os Estados Unidos é um dos principais obstáculos da estratégia.

Entre os nomes que circulam está Oscar Pérez-Oliva Fraga, parente distante de Fidel Castro que ganhou maior espaço na televisão estatal e em comunicados oficiais. Para Washington, entretanto, ele provavelmente não seria uma opção aceitável por sua proximidade com o atual sistema político cubano.

Outro nome mencionado é Raúl G. Rodríguez Castro, conhecido como “Raulito” ou “El Cangrejo”. Neto de Raúl Castro, ele atuou durante anos como integrante da segurança pessoal do ex-presidente, mas nunca ocupou um cargo público de destaque.

O atual ministro do Interior, Lázaro Alberto Álvarez Casas, também estaria entre as figuras avaliadas pelos americanos. O diretor da CIA, John Ratcliffe, teria se reunido com Rodríguez Castro e Álvarez Casas durante uma visita a Cuba neste ano.

CIA amplia atuação

A CIA criou uma força-tarefa dedicada a Cuba, sinal de que o governo Trump passou a estruturar uma estratégia mais coordenada de pressão sobre Havana.

A movimentação ocorre em um contexto de agravamento da crise econômica cubana e de aumento das restrições americanas ao país. Washington também impôs medidas que dificultam o acesso de Cuba a combustíveis, aumentando a pressão sobre o governo de Miguel Díaz-Canel.

O governo americano, entretanto, ainda não deixou claro até onde pretende avançar para provocar uma mudança na liderança cubana.

Raúl Castro é o principal alvo?

Apesar de ter 95 anos e não ocupar atualmente um cargo oficial, Raúl Castro continua exercendo influência dentro do sistema político cubano. Uma eventual tentativa de capturá-lo ou afastá-lo, contudo, não produziria necessariamente uma mudança automática de governo.

A situação é diferente da Venezuela, onde Nicolás Maduro ocupava a Presidência quando foi capturado por forças americanas. Após a operação, Delcy Rodríguez, então vice-presidente, assumiu o comando do país.

Em Cuba, o atual presidente é Miguel Díaz-Canel, enquanto Raúl Castro mantém influência política nos bastidores.

Por isso, autoridades americanas avaliam que qualquer operação contra a liderança cubana poderia desencadear uma resposta diferente da observada na Venezuela.

Experiência do Irã preocupa Washington

A estratégia também é influenciada pelo que ocorreu no Irã. Autoridades americanas e israelenses chegaram a considerar uma mudança de regime durante o conflito contra Teerã, apostando na possibilidade de encontrar uma liderança disposta a cooperar com o Ocidente.

O plano, porém, não avançou como esperado. Algumas das figuras consideradas mais pragmáticas foram eliminadas durante os ataques iniciais, enquanto outras não aceitaram assumir o papel imaginado por Washington e seus aliados.

O episódio reforçou a avaliação de setores da inteligência americana de que derrubar ou enfraquecer uma liderança não significa necessariamente ter à disposição uma alternativa capaz de assumir o poder.

No caso cubano, os planos exatos de Washington permanecem sob sigilo. O que está claro é que o governo Trump intensificou a pressão sobre Havana e passou a considerar não apenas medidas econômicas e diplomáticas, mas também a possibilidade de uma transição política.

O governo cubano, por sua vez, adotou medidas defensivas para dificultar uma eventual incursão americana destinada a capturar ou eliminar Raúl Castro ou Miguel Díaz-Canel.

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