O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (6) que o país possui um amplo estoque de munições e ameaçou com penas de prisão aqueles que divulgarem informações que indiquem o contrário.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump criticou notícias da imprensa sobre uma possível redução nos estoques militares americanos. Segundo o presidente, os Estados Unidos têm “quantidades maciças de munições”, especialmente de determinados tipos, sem especificar quais armas estariam disponíveis em maior quantidade.
Trump também afirmou que novas munições estão sendo produzidas e enviadas aos Estados Unidos conforme a necessidade. Segundo ele, empresas do setor de defesa estão construindo instalações e fábricas em ritmo recorde.
As declarações ocorreram após reportagens apontarem que os estoques de algumas armas de precisão dos Estados Unidos foram fortemente reduzidos durante a guerra contra o Irã.
O jornal Washington Post informou que Trump teria questionado o secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre uma possível escassez de munições durante uma reunião de gabinete realizada na semana passada em Camp David, residência oficial de campo do presidente.
Segundo o jornal, Trump teria afirmado que acreditava que o problema já havia sido solucionado. A informação foi atribuída a duas pessoas com conhecimento da conversa, que não foram identificadas.
Trump negou as informações e criticou os responsáveis por supostamente vazarem dados para a imprensa. O presidente afirmou que os “vazadores” de declarações que classificou como traiçoeiras estavam sendo procurados e ameaçou solicitar “penas de prisão de longa duração”.
A Casa Branca também rejeitou o relato. Karoline Leavitt, porta-voz do governo, afirmou que estava em Camp David com Trump e Hegseth e declarou que a conversa descrita pelo jornal “literalmente nunca aconteceu”.
O principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, também classificou como fictícias as reportagens sobre a suposta discussão entre Trump e Hegseth e sobre uma possível escassez de armas.
Relatos apontam redução nos estoques
Apesar das negativas do governo, informações obtidas pela CNN e pela agência Reuters indicam que os Estados Unidos utilizaram uma parcela significativa de seus estoques de mísseis de longo alcance e alta precisão durante a guerra contra o Irã.
Três pessoas familiarizadas com os dados ouvidas pela Reuters afirmaram que o Exército americano consumiu grande parte de seu estoque global dessas armas.
Entre os principais sistemas utilizados estão os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército, conhecidos como ATACMS, e os Mísseis de Ataque de Precisão, os PrSM.
Duas das fontes disseram que os Estados Unidos utilizaram “praticamente todas” essas armas. As fontes não informaram quantos exemplares ainda estão disponíveis nos estoques americanos.
Cada míssil desse tipo pode custar mais de US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,1 milhões. As armas de longo alcance são consideradas importantes no arsenal americano porque permitem atingir alvos com precisão sem a necessidade de aproximar aeronaves tripuladas das áreas de combate.
Os ATACMS, por exemplo, foram fornecidos pelos Estados Unidos à Ucrânia e tiveram papel relevante nas operações militares ucranianas, permitindo ataques contra alvos a centenas de quilômetros de distância.
Estoques podem ser repostos
A redução nos estoques de mísseis de precisão pode representar um desafio para os Estados Unidos caso Trump decida retomar ataques em larga escala contra o Irã.
Com menos armas de longo alcance disponíveis, uma eventual nova ofensiva poderia exigir maior utilização de aeronaves tripuladas em missões de bombardeio, o que aumenta a exposição de militares americanos aos riscos do conflito.
Uma quarta pessoa familiarizada com a situação, no entanto, afirmou à Reuters que os Estados Unidos têm capacidade para recompor seus estoques.
Segundo essa fonte, o Comando Central americano, responsável pelas operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, conseguiu repor parte das armas utilizadas recorrendo a estoques militares mantidos em outras regiões do mundo.
A Casa Branca, ao ser questionada sobre os dados relacionados aos estoques, divulgou uma declaração de Trump. O presidente afirmou que os Estados Unidos possuem “muito mais munições do que qualquer outro país no mundo” e “muito mais do que precisam”.
Trump também voltou a destacar a capacidade da indústria de defesa americana. Segundo ele, as empresas do setor estão produzindo mais munições do que em qualquer outro momento e ampliando suas instalações e equipamentos.
O episódio evidencia uma disputa de versões sobre a situação do arsenal americano: enquanto Trump e autoridades do governo negam que exista uma escassez preocupante, relatos de veículos de imprensa e fontes familiarizadas com os dados apontam para uma redução significativa nos estoques de determinadas armas de precisão após o uso intenso durante o conflito com o Irã.