Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, representa um risco político maior para o governo do que os desdobramentos do caso envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master.
Apesar das novas informações divulgadas pela Polícia Federal (PF), interlocutores do presidente acreditam que Lula manterá o apoio público à reeleição de Jaques Wagner e deverá continuar participando de agendas de campanha ao lado do senador.
Na quinta-feira (30), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo das investigações que apuram a suposta atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master. Segundo a PF, foram identificadas 74 ligações de áudio entre o senador e o ex-sócio da instituição financeira, Augusto Ferreira Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025.
A investigação busca esclarecer se houve atuação do parlamentar para beneficiar o banco. Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.
No entorno do governo, a avaliação é de que o caso teria impacto político menor do que a operação realizada em junho, quando o senador foi alvo de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero.
Aliados de Lula também acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve agir com cautela ao explorar politicamente o caso, já que seu nome também foi associado ao Banco Master em reportagens publicadas anteriormente. Segundo o site Intercept Brasil, Flávio teria solicitado recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um projeto audiovisual, tema que também gerou repercussão política.
Enquanto isso, a investigação envolvendo Lulinha é vista por integrantes do governo como um assunto de maior potencial de desgaste, por envolver diretamente o filho do presidente e ampliar a pressão sobre o Palácio do Planalto.