A crise diplomática entre Brasil e Israel ganhou um novo capítulo. O Itamaraty vetou a nomeação da diplomata Vivian Aisen para o cargo de cônsul-geral de Israel em São Paulo, apontando sua dupla nacionalidade — brasileira e israelense — como impedimento para a concessão do exequatur, autorização necessária para o exercício da função consular no país.
A decisão impede que Israel mantenha um representante no consulado-geral da capital paulista quando terminar a missão do atual cônsul, Rafael Erdreich. Além disso, o país segue sem embaixador em Brasília, já que outra indicação diplomática também não recebeu aval do governo brasileiro.
Vivian Aisen nasceu no Brasil, mudou-se ainda jovem para Israel e construiu carreira na diplomacia israelense. Segundo pessoas que acompanham o caso, ela chegou a manifestar disposição para renunciar à cidadania brasileira na tentativa de destravar a nomeação, mas a medida não foi suficiente.
Em nota, o Itamaraty informou apenas que os processos de concessão de exequatur são “rotineiros e sigilosos” e que o governo brasileiro não comenta procedimentos dessa natureza. A diplomata preferiu não se manifestar, enquanto a embaixada de Israel não respondeu aos questionamentos até a publicação das informações.
Esta é a segunda vez que o governo Lula impede a atuação de um diplomata israelense no Brasil. Em 2025, o Itamaraty também não concedeu autorização para que Gali Dagan assumisse a embaixada de Israel em Brasília, cargo que permanece vago desde então.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que, embora a justificativa oficial tenha sido a dupla nacionalidade da diplomata, o desgaste nas relações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pesou na decisão.
As tensões entre os dois países se intensificaram desde o início da guerra na Faixa de Gaza. O momento de maior atrito ocorreu em fevereiro de 2024, quando Lula comparou a ofensiva militar israelense em Gaza ao Holocausto. A declaração provocou forte reação do governo israelense, que classificou o presidente brasileiro como “persona non grata”, ampliando o distanciamento diplomático entre os dois países.
O episódio mais recente da crise ocorreu durante a convenção nacional do PL, quando Netanyahu enviou uma mensagem em vídeo ao senador Flávio Bolsonaro, elogiando o parlamentar e reforçando a amizade entre os dois. O gesto ocorreu em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre Brasília e Tel Aviv.