Os empresários Samara Martins, conhecida como Samara Pink, e Thiago Stabile, sócios da influenciadora Virginia Fonseca e do empresário chinês Chaopeng Tan na empresa de cosméticos WePink, passaram a ser investigados pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP). O inquérito apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à empresária Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”.
O casal deverá prestar depoimento nesta sexta-feira (31/7) na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), em Santos, no litoral paulista.
Natural de Goiânia, Samara Pink é formada em Administração, cofundadora da WePink, sócia da WeGym e comadre de Virginia Fonseca. Nas redes sociais, ela reúne cerca de 4,6 mil seguidores. Thiago Stabile, seu marido, também integra o quadro societário da WePink e ocupa o cargo de CEO da empresa.
Em nota, a assessoria de Virginia Fonseca informou que a influenciadora não irá comentar o caso.
A defesa dos investigados ainda não se manifestou. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Relação empresarial com Karen Mori
Entre 2017 e 2022, Samara Pink e Karen de Moura Tanaka Mori integraram uma sociedade voltada para a expansão da Pink Lash, rede especializada em extensão de cílios e produtos do setor de beleza.
Além da parceria nos negócios, as investigações apontam que Samara, Thiago Stabile e Karen mantinham uma relação próxima.
A WePink foi criada em 2021 por Virginia Fonseca. Atualmente, a influenciadora possui 33% da empresa, que também tem como sócios Samara Pink, Thiago Stabile e Lucas Chaopeng.
Em quatro anos de atividade, a marca ultrapassou R$ 1,2 bilhão em faturamento acumulado e projeta encerrar 2025 com receita próxima de R$ 1,4 bilhão.
Expansão dos negócios
Segundo informações levantadas durante a investigação:
- Em 2017, Samara Pink e Karen Mori fundaram a Pink Lash, rede especializada em extensão de cílios e comercialização de cosméticos;
- Em 2018, Thiago Stabile passou a integrar a gestão da empresa, impulsionando a expansão da franquia;
- Entre 2018 e 2021, Samara, Thiago e Karen figuravam como sócios em pelo menos quatro empresas ligadas ao grupo Pink Lash;
- O trio também investiu em uma empresa fornecedora de insumos para o mercado de beleza;
- Entre 2017 e 2022, a Pink Lash abriu cerca de 80 unidades, sendo pelo menos dez no estado de São Paulo;
- De acordo com dados divulgados pelos próprios empresários à época, a rede chegou a registrar faturamento mensal estimado em R$ 50 milhões.
Quem é a “Japa do PCC”
Karen de Moura Tanaka Mori é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado pelas autoridades como um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista. Ele foi morto em 2018 durante um acerto de contas atribuído à própria facção.
Segundo a investigação conduzida pela Deic, Karen teria utilizado recursos provenientes do tráfico nacional e internacional de drogas para investir em empresas do setor de beleza, empreendimentos imobiliários e companhias de fachada, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores.
Ela foi presa em 2024 por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Conforme a Polícia Civil de São Paulo, Karen teria assumido parte dos negócios do marido e desempenhado papel importante na movimentação financeira atribuída à organização criminosa.
Durante a operação policial, foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, além de US$ 50 mil em espécie.
O que é a Sintonia Final
As investigações apontam que Wagner Ferreira da Silva integrava a chamada Sintonia Final, considerada o mais alto núcleo de comando do PCC.
De acordo com a Polícia Civil, esse grupo reúne as principais lideranças da facção e seria responsável por decisões estratégicas da organização, como a autorização de grandes operações financeiras, a coordenação do tráfico internacional de drogas e armas e a determinação de execuções. Integrar a Sintonia Final significa ocupar um dos níveis mais elevados da estrutura hierárquica da organização criminosa.
