Pela primeira vez em seis anos, os preços dos carros zero quilômetro registraram queda no Brasil. Um levantamento da consultoria Bright Consulting aponta que o preço público médio deflacionado dos veículos leves passou de R$ 172,5 mil, em 2025, para R$ 170 mil, em junho de 2026, representando uma redução real de 1,5%.
A diminuição foi ainda mais expressiva no valor efetivamente pago pelos consumidores nas concessionárias. Segundo o estudo, o preço médio das transações caiu 3,5%, passando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil no mesmo período. O dado indica que montadoras e revendas ampliaram os descontos para atrair compradores em um mercado cada vez mais competitivo.
De acordo com a Bright Consulting, o principal motivo para essa mudança é o avanço das montadoras chinesas no Brasil. A chegada de novas marcas e a expansão das fabricantes que já atuavam no país aumentaram a concorrência, especialmente no segmento de veículos eletrificados, mas também pressionaram os preços dos modelos movidos a combustão.
Nos últimos anos, o cenário era bem diferente. Durante a pandemia de Covid-19, a falta global de semicondutores reduziu a produção de veículos, provocando escassez nas concessionárias e sucessivos aumentos de preços acima da inflação. Com a normalização da cadeia de produção, as fabricantes voltaram a disputar clientes de forma mais agressiva.
Além da concorrência, o crescimento dos estoques também contribuiu para a queda dos preços. Com mais veículos disponíveis para pronta entrega, as montadoras passaram a oferecer incentivos comerciais, como bônus, descontos diretos e condições especiais de financiamento para estimular as vendas.
A estratégia das marcas chinesas de oferecer veículos com mais tecnologia, equipamentos e preços competitivos também obrigou as fabricantes tradicionais a reverem suas políticas comerciais, ampliando promoções e reduzindo margens de lucro para preservar participação no mercado.
Para o consumidor, o cenário é mais favorável do que nos últimos anos. Além da redução dos preços médios, há maior variedade de modelos, pacotes mais completos e melhores condições de negociação, marcando uma mudança significativa em relação ao período de escassez e constantes reajustes observado entre 2020 e 2025.