Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova rodada de sanções contra o regime de Cuba. As medidas atingem nove entidades e duas pessoas ligadas ao governo cubano, incluindo órgãos responsáveis pelo envio de médicos para missões internacionais.
Em comunicado, o Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, afirmou que os programas de médicos cubanos no exterior são utilizados como mecanismo de exploração da mão de obra e representam uma das principais fontes de arrecadação de divisas para o governo de Havana.
Médicos cubanos no centro das sanções
Segundo o governo americano, autoridades cubanas utilizam condições consideradas coercitivas para obrigar profissionais da saúde a participarem das missões internacionais.
Os EUA afirmam que entre 50% e 95% dos salários pagos pelos países contratantes são retidos pelo governo cubano e classificam o modelo como uma forma de trabalho forçado e tráfico de pessoas.
Foram sancionados a estatal Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos (CSMC), o ministro da Saúde de Cuba, José Angel Portal Miranda, a Unidade Central de Cooperação Médica (UCCM) e sua diretora, Gretza Sánchez Padrón.
Energia e empresas ligadas aos militares
As sanções também atingem empresas dos setores de energia e logística que, segundo Washington, ajudam a sustentar financeiramente o regime cubano.
Entre elas estão o centro de pesquisa Ceinpet, as importadoras Enersa e Einarbo, além do Terminal de Contêineres do Porto de Mariel e das empresas Coral Marítima, Ceiba e Orbit S.A., apontadas como ligadas ao conglomerado militar Gaesa.
Bens bloqueados e proibição de negócios
As medidas determinam o bloqueio de bens dos sancionados nos Estados Unidos, impedem transações financeiras com cidadãos e empresas americanas e também alcançam organizações controladas, direta ou indiretamente, pelos alvos das sanções.
Pressão sobre países que recebem médicos cubanos
Washington intensificou nos últimos anos a pressão para que países deixem de contratar profissionais enviados por Cuba. Segundo o governo americano, nações como Guatemala, Jamaica e Guiana encerraram acordos após as críticas dos EUA.
O tema também teve reflexos no Brasil. Em 2025, os Estados Unidos revogaram vistos de autoridades ligadas ao antigo programa Mais Médicos, implementado durante o governo Dilma Rousseff. A medida atingiu familiares do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, devido à sua atuação no programa quando comandava a pasta.
Além disso, desde 2018 tramita na Justiça dos Estados Unidos uma ação movida por médicos cubanos contra a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com acusações de retenção salarial, restrições de liberdade e condições de trabalho consideradas abusivas durante a participação no Mais Médicos no Brasil.