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Início Brasil

Morre aos 98 anos, o cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto

Por Junior Melo
22/jul/2026
Em Brasil
Divulgação

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O cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Considerado um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, ele deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual e participação em mais de 100 produções entre filmes dirigidos e produzidos.

Conhecido como “Barretão”, foi responsável por sucessos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro. Ao longo da carreira, costumava resumir sua visão sobre a sétima arte com a frase: “O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil.”

Barreto estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava uma infecção pulmonar provocada por uma pneumonia.

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Segundo sua filha, Paula Barreto, o estado de saúde do cineasta vinha se agravando desde 2024, após uma queda sofrida durante uma viagem ao Ceará.

O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Em seguida, o corpo será cremado no Memorial do Caju, também no Rio de Janeiro.

Luiz Carlos Barreto era casado há 71 anos com a produtora de cinema Lucy Barreto. Ele deixa três filhos — dois deles vivos —, além de nove netos e oito bisnetos.

Do fotojornalismo ao cinema

Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto nasceu em 20 de maio de 1928. Seu primeiro contato com o universo cinematográfico aconteceu ainda na infância, quando acompanhou a passagem do diretor Orson Welles pelo Ceará durante as filmagens de um documentário sobre jangadeiros.

Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Barretão relembrou o impacto daquele momento.

“Eu nem sonhava, tinha 12 anos de idade. Eu ia tomar meu banho de mar e, daqui a pouco, chega aquela equipe de gringos e se instala ali. Eu fiquei olhando, encantado”, contou.

Antes de ingressar definitivamente no cinema, construiu carreira como fotógrafo da revista O Cruzeiro, experiência que marcou sua formação profissional. Como repórter-fotográfico, atuou como correspondente da publicação na Europa, registrando personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

Foi durante uma reportagem na Bahia que conheceu o cineasta Glauber Rocha, então envolvido nas filmagens de Barravento. O encontro abriu as portas para sua trajetória no cinema brasileiro.

Segundo Barretão, Glauber o convidou para integrar a equipe de Vidas Secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Inicialmente resistente por não ter experiência na área, acabou aceitando o desafio após ser incentivado pelo diretor.

Legado no cinema brasileiro

A partir daí, Luiz Carlos Barreto participou de algumas das obras mais importantes do Cinema Novo e da cinematografia nacional. Entre elas estão Vidas Secas e Terra em Transe, de Glauber Rocha.

Como produtor, consolidou-se por sua capacidade de reunir talentos, viabilizar grandes projetos e ampliar o alcance do cinema brasileiro.

Ao longo da carreira, esteve à frente de produções marcantes como Garrincha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro de Andrade; Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues; e Memórias do Cárcere, adaptação da obra de Graciliano Ramos.

Seu maior sucesso de público foi Dona Flor e Seus Dois Maridos, estrelado por Sônia Braga, dirigido por Bruno Barreto e produzido por Lucy Barreto. O longa tornou-se um fenômeno de bilheteria e permaneceu por mais de três décadas como o filme brasileiro mais assistido nos cinemas.

Outro destaque de sua filmografia foi Menino do Rio, produção que conquistou grande público e ajudou a impulsionar o cinema nacional voltado ao público jovem.

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