O cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Considerado um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, ele deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual e participação em mais de 100 produções entre filmes dirigidos e produzidos.
Conhecido como “Barretão”, foi responsável por sucessos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro. Ao longo da carreira, costumava resumir sua visão sobre a sétima arte com a frase: “O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil.”
Barreto estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava uma infecção pulmonar provocada por uma pneumonia.
Segundo sua filha, Paula Barreto, o estado de saúde do cineasta vinha se agravando desde 2024, após uma queda sofrida durante uma viagem ao Ceará.
O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Em seguida, o corpo será cremado no Memorial do Caju, também no Rio de Janeiro.
Luiz Carlos Barreto era casado há 71 anos com a produtora de cinema Lucy Barreto. Ele deixa três filhos — dois deles vivos —, além de nove netos e oito bisnetos.
Do fotojornalismo ao cinema
Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto nasceu em 20 de maio de 1928. Seu primeiro contato com o universo cinematográfico aconteceu ainda na infância, quando acompanhou a passagem do diretor Orson Welles pelo Ceará durante as filmagens de um documentário sobre jangadeiros.
Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Barretão relembrou o impacto daquele momento.
“Eu nem sonhava, tinha 12 anos de idade. Eu ia tomar meu banho de mar e, daqui a pouco, chega aquela equipe de gringos e se instala ali. Eu fiquei olhando, encantado”, contou.
Antes de ingressar definitivamente no cinema, construiu carreira como fotógrafo da revista O Cruzeiro, experiência que marcou sua formação profissional. Como repórter-fotográfico, atuou como correspondente da publicação na Europa, registrando personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.
Foi durante uma reportagem na Bahia que conheceu o cineasta Glauber Rocha, então envolvido nas filmagens de Barravento. O encontro abriu as portas para sua trajetória no cinema brasileiro.
Segundo Barretão, Glauber o convidou para integrar a equipe de Vidas Secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Inicialmente resistente por não ter experiência na área, acabou aceitando o desafio após ser incentivado pelo diretor.
Legado no cinema brasileiro
A partir daí, Luiz Carlos Barreto participou de algumas das obras mais importantes do Cinema Novo e da cinematografia nacional. Entre elas estão Vidas Secas e Terra em Transe, de Glauber Rocha.
Como produtor, consolidou-se por sua capacidade de reunir talentos, viabilizar grandes projetos e ampliar o alcance do cinema brasileiro.
Ao longo da carreira, esteve à frente de produções marcantes como Garrincha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro de Andrade; Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues; e Memórias do Cárcere, adaptação da obra de Graciliano Ramos.
Seu maior sucesso de público foi Dona Flor e Seus Dois Maridos, estrelado por Sônia Braga, dirigido por Bruno Barreto e produzido por Lucy Barreto. O longa tornou-se um fenômeno de bilheteria e permaneceu por mais de três décadas como o filme brasileiro mais assistido nos cinemas.
Outro destaque de sua filmografia foi Menino do Rio, produção que conquistou grande público e ajudou a impulsionar o cinema nacional voltado ao público jovem.