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Carro elétrico perde até R$ 95 mil em um ano e desvalorização chama atenção no Brasil

Por Guilherme Silva
19/abr/2026
Em Geral
Carro elétrico perde até R$ 95 mil em um ano e desvalorização chama atenção no Brasil

Cenário de desvalorização e novas alíquotas de importação pressionam o setor automotivo eletrificado

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O mercado nacional de carro elétrico enfrenta uma desvalorização recorde de 11,95% nos modelos usados em 2026. O setor de seminovos registra quedas mais acentuadas que os modelos a combustão, pressionando proprietários e revendedores.

Por que o carro elétrico usado desvaloriza tanto?

A depreciação acelerada ocorre principalmente devido ao alto custo de reposição das baterias, que podem custar até R$ 80 mil. Além disso, a entrada constante de modelos novos e mais baratos no mercado brasileiro retira o valor de revenda dos veículos antigos.

A desvalorização não é homogênea, concentrando-se em marcas com rede de assistência limitada. O JAC E-JS4, por exemplo, perdeu 37,5% (R$ 95 mil) de seu valor original de R$ 254.900 em apenas um ano, enquanto o popular BYD Dolphin Mini recuou apenas 3,58%.

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Carro da Dolphin Mini - Fonte: BYD/Divulgação
Dolphin Mini manteu seu preço estável – Fonte: BYD/Divulgação

Quais são as novas alíquotas de importação para 2026?

O ambiente tributário tornou-se mais rigoroso após o encerramento da isenção para kits de montagem em janeiro de 2026. Agora, veículos totalmente importados seguem um cronograma de aumento progressivo nas tarifas para estimular a produção nacional.

Confira como ficam as taxas de importação:

  • Elétrico puro (BEV): a alíquota atual de 25% subirá para 35% em julho de 2026.
  • Híbrido plug-in (PHEV): a taxa saltará de 28% para 35% no próximo semestre.
  • Híbrido convencional (HEV): terá o imposto fixado em 35% a partir de julho.
  • Produção Nacional: montadoras como BYD e GWM aceleram fábricas para evitar essas taxas.

Como a evolução da tecnologia afeta o preço de revenda?

A velocidade com que novas baterias e softwares são lançados torna modelos com apenas dois anos de uso obsoletos para muitos compradores. Um carro elétrico com autonomia de 250 km perde competitividade rapidamente frente aos novos lançamentos que superam os 400 km.

Segundo dados da ABEIFA, a incerteza sobre a vida útil dos componentes eletrônicos gera receio no mercado secundário. Isso faz com que o comprador exija descontos agressivos para assumir o risco de manutenção futura, elevando o índice de depreciação geral.

Carro elétrico - Créditos: depositphotos.com / JaCrispy
Carro elétrico sendo recarregado – Créditos: depositphotos.com / JaCrispy

Vale a pena comprar um seminovo em 2026?

Com a queda nos preços, a busca por elétricos usados cresceu 57% no primeiro semestre de 2026. Para muitos motoristas, o seminovo tornou-se a porta de entrada para a eletromobilidade, aproveitando que o proprietário anterior já absorveu a maior parte da desvalorização.

Especialistas da Webmotors sugerem que o comprador foque em marcas com presença fabril consolidada no Brasil. Isso garante maior facilidade de encontrar peças de reposição e mantém a liquidez do veículo caso o proprietário decida vendê-lo no futuro.

O que esperar para o mercado de elétricos em 2027?

A tendência é que os preços de modelos importados continuem subindo devido à carga tributária total de 35%. A partir de janeiro de 2027, até mesmo as peças desmontadas pagarão imposto cheio, forçando a nacionalização completa dos componentes.

Para quem deseja vender, o momento exige estratégia, pois a janela de preços baixos para novos importados está se fechando. Proprietários de veículos com alta autonomia e histórico de revisões em concessionárias autorizadas conseguirão negociar melhores valores, mesmo em um cenário de mercado desafiador para os eletrificados.

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