O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, ligado ao governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F poucos dias após o credenciamento do PicPay para operar crédito consignado no GDF. O caso ganhou repercussão por envolver valores expressivos e contratos simultâneos. Os pagamentos passaram a ser analisados em investigação da CPMI do INSS.
Como foram distribuídos os pagamentos do grupo J&F ao escritório?
Documentos encaminhados ao Coaf e enviados à CPMI do INSS mostram que o escritório recebeu cerca de R$ 34 milhões entre outubro de 2024 e outubro de 2025. O total foi dividido em 15 operações, com recorrência de pagamentos mensais.
O padrão identificado indica transferências frequentes no início dos meses, além de valores mais elevados em períodos específicos. Para facilitar a compreensão, veja alguns dos principais repasses identificados:
- R$ 1 milhão em 04/10/2024
- R$ 1 milhão em 07/11/2024
- R$ 1 milhão em 04/12/2024
- R$ 5 milhões em 16/12/2024
- R$ 1 milhão em 06/01/2025
Esse padrão reforça a regularidade dos pagamentos, embora as partes envolvidas afirmem que os valores estão relacionados à prestação de serviços jurídicos contínuos. As informações são do portal g1.
O que motivou a investigação da CPMI do INSS?
A CPMI do INSS passou a investigar o caso após o PicPay ser a única empresa, entre quatro habilitadas, a operar o programa “Meu INSS Vale+”. O serviço acabou suspenso após cinco meses, em meio a suspeitas de irregularidades.
Além disso, documentos mostram que o banco buscava expandir sua atuação no setor público por meio de produtos financeiros como a antecipação salarial, semelhante ao crédito consignado, o que levantou questionamentos sobre sua atuação institucional.
Como ocorreu a cronologia do contrato com o PicPay?
A sequência de eventos revela uma rápida evolução na relação entre o PicPay e o governo distrital. O contrato foi assinado em 16 de setembro de 2024, antes mesmo da publicação oficial. Para entender melhor o processo, é importante destacar os principais marcos dessa negociação:
- 15 de agosto de 2024: PicPay apresenta proposta ao INSS
- 16 de setembro de 2024: assinatura do contrato
- 30 de setembro de 2024: publicação no Diário Oficial do DF
- 02 de outubro de 2024: comemoração do credenciamento pela empresa
Essa sequência mostra que, poucos dias após a liberação oficial, o sistema já estava em operação, coincidindo com o início dos pagamentos ao escritório de advocacia.
O que dizem as partes envolvidas no caso?
O grupo J&F afirmou que não há relação entre os pagamentos e o contrato do PicPay com o governo do Distrito Federal. Segundo a empresa, o escritório de Ibaneis atua em mais de 500 processos, justificando os repasses.
O Ibaneis Advocacia e Consultoria também declarou que presta serviços jurídicos em diversas esferas e que atua com base na legalidade e ética profissional. O escritório reforça que os pagamentos estão vinculados à atividade advocatícia regular. O governador Ibaneis Rocha declarou que não há irregularidades no contrato e que todos os processos são públicos. Ele afirmou ainda que deixará o governo “sem qualquer problema”, mantendo sua defesa sobre a legalidade da atuação.
Quais são os próximos desdobramentos do caso?
A Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que o modelo de antecipação salarial oferecido pelo PicPay está sob análise do Tribunal de Contas do DF. Por esse motivo, a operação encontra-se temporariamente suspensa.
A investigação da CPMI do INSS segue em andamento e busca esclarecer possíveis relações entre contratos, pagamentos e a atuação do banco digital. O caso permanece sob atenção de órgãos de controle e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço das apurações.