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Única capital fundada por franceses no Brasil é chamada de “Atenas Brasileira” e guarda 4 mil casarões

Por Guilherme Silva
23/mar/2026
Em Geral
Créditos: depositphotos.com / Fotoember

Cidade de São Luís - Créditos: depositphotos.com / Fotoember

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O aroma de vinagreira refogada e o grave das radiolas de reggae recebem quem pisa nas pedras do centro histórico de São Luís. Fundada em 1612 por franceses e apelidada “Atenas Brasileira“, a capital do Maranhão passou por mãos holandesas e portuguesas antes de se tornar um dos acervos coloniais mais preservados da América Latina, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1997.

Da França Equinocial à Atenas Brasileira?

Daniel de La Touche desembarcou na ilha de Upaon-Açu com cerca de 500 colonos e ergueu o Forte de Saint-Louis em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, tropas portuguesas lideradas por Jerônimo de Albuquerque retomaram o território. A cidade ainda seria ocupada por holandeses entre 1641 e 1644, o que faz de São Luís a única capital do país que passou por três colonizações europeias.

Nos séculos XVIII e XIX, a exportação de algodão e arroz transformou a cidade na quarta mais próspera do Brasil imperial. A riqueza financiou sobrados imponentes, revestidos com azulejos portugueses que até hoje cobrem fachadas inteiras no centro. O período também atraiu poetas e escritores, o que rendeu à capital o apelido de Atenas Brasileira.

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Vista panorâmica de São Luís em São Luís, Maranhão – Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

O que visitar no maior acervo de azulejos das Américas?

O centro histórico reúne cerca de 4 mil imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Becos, escadarias e largos revelam construções dos séculos XVII ao XIX, muitas delas restauradas e abertas à visitação.

  • Palácio dos Leões: sede do governo estadual desde o período colonial, mantém decoração com itens franceses dos séculos XVIII e XIX e vista para a Baía de São Marcos.
  • Teatro Artur Azevedo: inaugurado em 1817, é o segundo teatro mais antigo em funcionamento no Brasil.
  • Casa das Tulhas: mercado histórico onde se encontram especiarias, vinagreira, camarão seco e artesanato maranhense.
  • Convento das Mercês: inaugurado em 1654 pelo padre Antônio Vieira, abriga hoje a Fundação da Memória Republicana.
  • Praias da Avenida Litorânea: São Marcos, Calhau e Olho d’Água oferecem faixa de areia extensa, quiosques e pôr do sol sobre o mar.

Quem deseja mergulhar na cultura maranhense, vai curtir esse documentário completo do canal Rolê Família, que conta com mais de 121 mil visualizações, onde Bruno e sua família exploram os encantos de São Luís, Alcântara e o fascinante São João do Maranhão:

Quando o Bumba-meu-boi toma conta das ruas?

Entre junho e julho, São Luís vive o ciclo do Bumba-meu-boi, manifestação que mistura teatro, dança, música e fé. O ritual celebra a morte e a ressurreição de um boi e se divide em sotaques regionais, cada um com instrumentos, figurinos e coreografias próprios. Em 2019, o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A cidade também é chamada de Jamaica Brasileira pela força do reggae. Radiolas gigantes animam bailes onde se dança agarradinho, um estilo que só existe no Maranhão. Clubes e bares espalhados por bairros como Madre Deus e Liberdade mantêm a tradição viva o ano inteiro.

Que sabores a mesa maranhense reserva?

A gastronomia de São Luís nasce do encontro entre ingredientes indígenas, temperos africanos e técnicas portuguesas. A vinagreira, folha ácida trazida da África, é a base do prato mais emblemático do estado.

  • Arroz de cuxá: arroz misturado ao molho de vinagreira, camarão seco e gergelim torrado. Acompanha peixes e frutos do mar em praticamente toda mesa maranhense.
  • Torta de camarão: massa leve à base de ovos, recheada com camarão fresco ou caranguejo, servida em fatias generosas.
  • Peixada maranhense: pescada amarela cozida em leite de coco com batata, ovos e temperos regionais.
  • Juçara com camarão seco: versão local do açaí, mais encorpada, servida em prato fundo com farinha e camarão por cima.
O ritual celebra a morte e a ressurreição de um boi e se divide em sotaques regionais – Créditos: depositphotos.com / Fotoember

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

São Luís fica a dois graus da linha do Equador, com calor constante. As chuvas se concentram entre janeiro e junho, e o período seco vai de julho a dezembro.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à ilha de Upaon-Açu?

O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado recebe voos diretos das principais capitais do país. De lá, táxi e aplicativos levam ao centro histórico em cerca de 20 minutos. 

São Luís também é ponto de partida para os Lençóis Maranhenses, acessíveis de carro ou van até Barreirinhas, a 260 km pela MA-402. Do Cais da Praia Grande, catamarãs cruzam a Baía de São Marcos até a cidade histórica de Alcântara em aproximadamente 1h15.

Deixe o reggae guiar seus passos pela ilha

São Luís é o raro destino onde se caminha por ruas de azulejo português ouvindo reggae no alto-falante. A capital maranhense reúne três colonizações, dois títulos da UNESCO e uma mesa que transforma vinagreira e camarão seco em identidade.

Você precisa pisar nas pedras do centro histórico, provar o arroz de cuxá e sentir a batida grave das radiolas para entender por que a ilha de Upaon-Açu conquistou o apelido de Jamaica Brasileira.

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