Quando se fala em cidades antigas, é comum imaginar construções deterioradas e ruas desertas. Mas Vila Velha, Santos e Vitória quebram totalmente esse estereótipo. Fundadas no século XVI, antes mesmo de Salvador se tornar capital e de São Paulo existir oficialmente, essas três metrópoles hoje figuram no topo dos rankings de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
Qual o segredo por trás dos altos índices de desenvolvimento em cidades antigas?
A resposta envolve uma combinação vencedora: geografia privilegiada, economia movida pelos portos e decisões urbanísticas inteligentes que resistiram ao teste do tempo. Vila Velha nasceu em 1535, apenas 35 anos após a chegada de Cabral. Santos veio em 1546, funcionando como elo entre o planalto e o mar. Já Vitória surgiu em 1551, instalada em uma ilha protegida por morros, o que a mantinha a salvo de ataques.
Longe da estagnação, essas cidades prosperaram. Santos abriga o maior complexo portuário da América Latina e ostenta um IDHM de 0,840, o sexto melhor do Brasil. Vitória alcança 0,845, garantindo a quarta posição no ranking nacional. Já Vila Velha, com 0,800, integra o seleto grupo de municípios com classificação “muito alta” segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O berço capixaba com convento no penhasco?
A cidade mais antiga do Espírito Santo foi fundada pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho. Seu nome já denuncia a origem: foi a primeira capital da capitania. O grande cartão-postal é o Convento da Penha, cuja construção começou em 1558 no topo de um penhasco de 154 metros. A Festa da Penha, realizada anualmente oito dias após a Páscoa, é a terceira maior celebração religiosa do Brasil em público, atrás apenas de Aparecida e do Círio de Nazaré.
Mas Vila Velha não vive só de fé. São 32 quilômetros de praias urbanas, da agitada Praia da Costa ao visual panorâmico do Morro do Moreno, de onde se avista a Terceira Ponte e toda a baía. A fábrica da Garoto, gigante no setor de chocolates, completa o passeio com museu e loja no bairro da Glória.
Qual cidade traz o recorde no Guinness e 6º melhor IDH nacional?
Nascida como ponto de ligação entre o planalto paulista e o Atlântico, Santos hoje movimenta mais de um quarto de toda a carga que entra e sai do país por seus portos. Essa pujança econômica se reflete na qualidade de vida. A cidade é a segunda melhor do Brasil para criar filhos e a oitava em saneamento básico, segundo a própria prefeitura.
Mas a imagem mais famosa não é o porto, e sim o que vem antes dele. Os Jardins da Orla, com 5.335 metros de extensão e mais de 200 espécies de plantas, formam o maior jardim frontal de praia do mundo, título certificado pelo Guinness World Records em 2002. A ideia nasceu em 1914 com o engenheiro Saturnino de Brito, e os primeiros trechos ficaram prontos na década de 1930.
Qual é a capital-ilha que lidera em qualidade de vida?
Fundada em 1551 como Vila Nova, Vitória nasceu em uma ilha na baía que hoje leva seu nome. A capital foi transferida de Vila Velha justamente pela proteção natural que os morros e o mar ofereciam. Quase 500 anos depois, a geografia ainda é um trunfo.
Praias como Camburi e Curva da Jurema são espaços de lazer totalmente integrados à vida urbana. O Palácio Anchieta, sede do governo estadual, é um dos edifícios coloniais mais antigos ainda em uso no país. Ao redor, o centro histórico reúne museus, igrejas restauradas e cafés. A prefeitura local destaca que a capital foi eleita pela revista Exame como a cidade com o melhor capital humano do Brasil, ocupando também a terceira posição nacional para criar e educar filhos.
Como as três cidades se comparam lado a lado?
Os números ajudam a entender os diferentes perfis dessas três joias coloniais:
Fontes: PNUD/Atlas do Desenvolvimento Humano, prefeituras municipais e Guinness World Records.
Três cidades que provam: idade não significa estagnação?
Vila Velha, Santos e Vitória carregam quase cinco séculos de história nas costas. Ao mesmo tempo, entregam indicadores de desenvolvimento que muitos municípios jovens gostariam de ter.
A combinação de litoral, portos ativos e a capacidade de se reinventar a cada ciclo econômico explica boa parte desse sucesso.
Se você busca um destino onde história colonial, praia e qualidade de vida real caminham juntas, qualquer uma dessas três cidades merece uma visita demorada.