O aumento das tarifas de importação sobre computadores, celulares e componentes eletrônicos recolocou a política industrial brasileira no centro do debate econômico, ao atingir 1.252 produtos de tecnologia, máquinas e equipamentos com início de vigência previsto para março.
Quais as mudanças com as novas tarifas de importação?
As mudanças, aprovadas pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), alcançam apenas itens que já contam com fabricação em território brasileiro, preservando produtos sem similar nacional. Em linha com movimentos de grandes economias, como os Estados Unidos, o Brasil busca reforçar a competitividade da indústria.
Ao reorganizar as alíquotas em faixas de 7,2% a 25%, com patamares intermediários de 10%, 12,6%, 15% e 20%, a medida atinge desde computadores e smartphones até máquinas industriais e equipamentos médicos. O objetivo declarado é reduzir a pressão de importados de menor preço e incentivar investimentos internos em tecnologia e capacidade produtiva.
Como ficam computadores, celulares e outros eletrônicos com as novas tarifas?
No segmento de telefones celulares, o governo justifica o aumento pela elevada participação da produção local, estimada em mais de 90% dos aparelhos comercializados no país. Assim, a equipe econômica avalia que o impacto tende a recair mais sobre o fluxo de importações do que sobre o preço final ao consumidor, mantendo relativa estabilidade no mercado interno.
Entre os produtos tecnológicos enquadrados no aumento das alíquotas, destacam-se itens de uso cotidiano e insumos de alta tecnologia, o que exige das empresas maior planejamento de custos e estoques. Abaixo estão alguns dos principais grupos afetados na área de tecnologia e comunicação:
- Computadores e notebooks;
- Smartphones e outros telefones celulares;
- Roteadores e equipamentos de rede;
- Servidores e unidades de processamento de dados;
- Componentes eletrônicos diversos.
Quais setores produtivos serão mais impactados pelas novas tarifas?
O alcance da decisão vai além dos eletrônicos de consumo, abrangendo bens de capital e de tecnologia usados em linhas de produção, agronegócio e serviços de saúde. Máquinas industriais, equipamentos agrícolas e aparelhos médicos passam a integrar um conjunto de bens cujo custo de importação sobe, alterando estratégias de compra e substituição.
Como as novas tarifas incidem apenas sobre bens com fabricação no Brasil, o governo sinaliza intenção de proteger empregos, ampliar conteúdo nacional e estimular cadeias produtivas estratégicas. Ao mesmo tempo, empresas usuárias desses equipamentos terão de ponderar entre fornecedores domésticos e estrangeiros, considerando preço, qualidade, prazos e suporte técnico.
Como as novas tarifas podem aumentar preços ao consumidor final?
Analistas avaliam que o impacto sobre preços de computadores, celulares e outros eletrônicos tende a variar conforme a dependência de importados em cada segmento. Onde a participação da produção nacional é predominante, como em smartphones, o governo aposta em efeito moderado, atuando mais na competição com produtos externos.
Por outro lado, empresas que utilizam componentes estrangeiros como insumos podem enfrentar aumento de custos, o que influencia margens, investimentos e prazos de entrega. A reação de fabricantes, varejistas e consumidores será crucial para determinar se o reajuste das tarifas resultará em repasses relevantes aos preços finais.
Por que o governo adotou tarifas mais altas em meio a disputas comerciais globais?
A elevação do Imposto de Importação ocorre em um contexto de maior protecionismo em várias regiões, em que países combinam críticas a barreiras externas com medidas para resguardar suas próprias indústrias.
Com a vigência das novas alíquotas prevista para março, a atenção se volta ao comportamento dos preços, ao fluxo de comércio exterior e à capacidade da indústria nacional de responder à demanda.