A Polícia Federal (PF) quer autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para cruzar dados da investigação sobre o banco Master com o escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, a fim de identificar um possível ecossistema de fraudes financeiras interligadas.
Como a PF tenta integrar investigação do banco Master com o escândalo do INSS?
A PF busca usar em conjunto, elementos da apuração sobre a tentativa de venda do banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e da operação Sem Desconto, que mira descontos irregulares em benefícios do INSS. A análise cruzada pode revelar estruturas financeiras comuns, repetição de operadores e rotas similares de circulação de recursos.
O Master já aparece na investigação do INSS por ter administrado recursos supostamente desviados de contas de aposentados e pensionistas. A PF avalia se parte dos valores descontados pode ter sido canalizada para carteiras, fundos ou veículos usados em outras operações, inclusive na tentativa de valorização de ativos na negociação com o BRB.
Como avança o inquérito sobre o banco Master no STF?
No STF, o caso Master passou para relatoria de André Mendonça, que substituiu Dias Toffoli e restabeleceu o fluxo ordinário das perícias, ampliando o número de peritos autorizados a examinar dispositivos eletrônicos e milhares de documentos físicos. A reorganização interna tende a acelerar a produção de laudos e relatórios, segundo investigadores.
Uma frente está em fase final e trata da tentativa de venda do Master ao BRB, com previsão de relatório até meados de março e possível pedido de indiciamentos. Há suspeitas de que o BRB tenha sido induzido a avaliar a compra com base em ativos inflados e de que influenciadores digitais tenham sido contratados para pressionar autoridades. As informações são do jornal O Globo.
Qual é a possível conexão entre o caso Master e o escândalo do INSS?
A operação Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado, investiga esquemas de consignados, cartões e serviços financeiros não autorizados, lançados diretamente em benefícios previdenciários, com prejuízo estimado em mais de R$ 6 bilhões. Alguns fundos ligados ao Master aparecem como destino de recursos que teriam origem em descontos irregulares.
Para verificar se há sobreposição de contas, fundos e intermediários, equipes técnicas projetam ao menos de um a dois meses de análises adicionais, com integração de bases bancárias, fiscais e telemáticas. O objetivo é identificar uma possível rede de fraudes interligadas, em que estruturas montadas para um tipo de golpe são reaproveitadas.
Quais dados serão cruzados e como será feita a análise?
O cruzamento de informações, se autorizado por Mendonça, envolverá dados sigilosos e complexos, exigindo perícia especializada em rastreamento financeiro. Os investigadores querem consolidar um panorama das conexões entre o caso Master e o escândalo do INSS, com foco em trilhas de dinheiro e uso de fundos suspeitos de lavagem.
Nesse contexto, a PF pretende organizar um conjunto de verificações técnicas e documentais para mapear com precisão os fluxos compartilhados entre os dois inquéritos:
- Comparação de cadastros de empresas e pessoas físicas que aparecem nas duas investigações;
- Rastreamento de fundos de investimento que receberam aportes de origem suspeita;
- Verificação de contratos e termos de adesão assinados em cadeia por intermediários comuns;
- Análise de comunicações eletrônicas entre operadores recorrentes e gestores de recursos;
- Conferência de registros de transferências e contratos de fundos já apreendidos em operações anteriores.
Quais são os próximos passos da investigação?
O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro na primeira fase da operação Compliance Zero e hoje responde em liberdade com tornozeleira eletrônica, enquanto o banco segue liquidado por decisão do Banco Central. Ele foi convocado como testemunha para a CPMI do INSS, mas Mendonça o desobrigou de comparecer.
A PF trabalha em fase de consolidação: a apuração sobre a tentativa de venda do Master ao BRB entra na reta final, ao mesmo tempo em que novas linhas são estruturadas a partir do escândalo previdenciário. A tendência é que o conjunto se torne um dos inquéritos mais complexos no STF.