As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, provocaram um cenário de desastre urbano e humano, com 14 mortos, ao menos 440 desabrigados e decreto de estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24/2).
Quais os impactos das chuvas em Juiz de Fora?
O volume de chuva em fevereiro já é o maior da história recente do município, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o período, e previsão de mais instabilidades nos próximos dias. O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira e mantém o alerta para novos deslizamentos, enchentes e alagamentos.
As mortes confirmadas foram distribuídas por vários bairros da cidade, evidenciando o alcance do evento extremo e sobrecarregando os serviços de emergência e assistência social.
Onde ocorreram as mortes e como está a situação nos bairros mais atingidos?
As 14 mortes confirmadas ocorreram em diversos pontos de encosta e áreas vulneráveis, com destaque para JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Esses locais registraram soterramentos, desabamentos e enxurradas intensas, exigindo resgates complexos em ruas estreitas e com acesso dificultado.
De acordo com informações da prefeitura, as mortes foram registradas nos seguintes locais:
- 4 óbitos na Rua Natalino José de Paula, bairro JK;
- 4 óbitos na Rua Orville Derby Dutra, bairro Santa Rita;
- 2 óbitos na Rua João Luís Alves, Vila Ideal;
- 1 óbito na Rua José Francisco Garcia, bairro Lourdes;
- 1 óbito na Rua Eurico Viana, Vila Alpina;
- 1 óbito na Estrada Athos Branco da Rosa, bairro São Benedito;
- 1 óbito na Rua Jacinto Marcelino, Vila Olavo Costa.
Como o estado de calamidade em Juiz de Fora impacta o dia a dia da população?
O decreto de calamidade pública em Juiz de Fora permite maior agilidade para contratar serviços, remanejar recursos e estruturar ações de resgate, assistência social e recuperação urbana. Em contrapartida, a população enfrenta dificuldades de deslocamento, interrupção de serviços essenciais e incertezas sobre a segurança de moradias em áreas de risco.
Entre os principais impactos imediatos estão a suspensão das aulas na rede municipal, interdição de pontes e do Mergulhão, transbordamento do Rio Paraibuna e de córregos, quedas de árvores e moradores ilhados, com casas alagadas ou atingidas por enxurradas. Abrigos temporários foram montados em escolas, ginásios e estruturas públicas para acolher os 440 desabrigados.
Qual é a situação das buscas, resgates e desaparecidos na cidade?
O bairro Parque Burnier é apontado pelo Corpo de Bombeiros como uma das áreas mais críticas, com 17 pessoas desaparecidas, entre elas mais de cinco crianças, e risco de novos deslizamentos. Nove pessoas já foram resgatadas com vida, em uma operação que envolve equipes especializadas, cães farejadores e monitoramento constante.
Em vídeo nas redes sociais, a prefeita Margarida Salomão informou ao menos 20 ocorrências de soterramento, com vítimas sendo encaminhadas principalmente ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência na assistência emergencial.
Como as autoridades reagiram ao caso?
Segundo o Tenente Henrique Barcellos, do Corpo de Bombeiros em Juiz de Fora, foram mais de 40 chamadas emergenciais em poucas horas, envolvendo vias bloqueadas, moradores presos em casas inundadas e deslizamentos. O Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres mobilizou mais de 20 militares, além de cães de busca.
Com o transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos córregos, a cidade enfrenta também enchentes prolongadas em áreas baixas, o que agrava o cenário para famílias de baixa renda e moradias irregulares.