A movimentação em torno das eleições de 2026 ganhou novo capítulo com a revelação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo preso em Brasília, atua diretamente na articulação de uma lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais, o que reacendeu o debate sobre sua influência política e os limites de sua participação nas decisões do Partido Liberal.
Como Bolsonaro articula a lista de pré-candidatos para 2026?
Relatos de aliados indicam que Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado, mantém rotina de discussão política, mesmo enfrentando problemas de saúde e restrições impostas pelo sistema prisional.
Em publicação na rede social X, o vereador Carlos Bolsonaro (PL) relatou que o ex-presidente, apesar de crises de soluços e episódios severos de vômitos, está “focado, lúcido e construtivo” ao elaborar um esboço de lista com nomes ao Senado, a governos estaduais e a outros cargos estratégicos para 2026.
Quais são os efeitos eleitorais da lista de Bolsonaro?
O interesse de Bolsonaro em pré-candidatos ao Senado e a governos estaduais reforça a estratégia de preservar influência sobre estruturas locais, consideradas centrais na disputa por recursos, tempo de TV, visibilidade e capacidade de mobilização na eleição de 2026.
Aliados avaliam que a lista tende a ser observada com atenção por grupos de direita e possíveis parceiros regionais, funcionando como um selo de alinhamento ao bolsonarismo e um balizador de disputas internas com outras lideranças conservadoras em cada estado.
Quem decide as candidaturas no PL em meio à influência de Bolsonaro?
As declarações de Carlos sobre a lista provocaram reação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que reforçou a autonomia da direção partidária nos estados e afirmou que a definição de candidaturas para governos estaduais cabe à cúpula do partido, enquanto sugestões externas são tratadas como “palpites”.
Valdemar, porém, reconheceu que, no caso do Senado, a influência de Bolsonaro é tradicionalmente decisiva no PL, explicitando uma divisão tácita de atribuições que tenta acomodar, ao mesmo tempo, o peso eleitoral do ex-presidente e o espaço institucional da legenda. Veja publicação de Carlos:
“Esse homem é de outro planeta!” pic.twitter.com/xOrtNHDnt8
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) February 21, 2026
Como funciona a divisão interna de responsabilidades no PL?
Para evitar conflitos abertos, dirigentes do PL descrevem um arranjo interno que organiza quem opina com mais força sobre cada tipo de candidatura, ainda que, na prática, haja disputa constante de bastidores entre o núcleo bolsonarista e a direção formal do partido.
Nesse contexto, a divisão aproximada de responsabilidades costuma ser apresentada pelas alas internas do PL da seguinte forma:
- Senado – Bolsonaro indica e avalia os principais nomes aliados, influenciando diretamente o apoio da base bolsonarista e a formação de palanques nacionais.
- Governos estaduais – Direção nacional do PL e diretórios locais conduzem as escolhas, negociando alianças regionais e ajustes com outros partidos do campo de centro-direita.
- Outros cargos – Nomes surgem de acertos entre bancada, lideranças estaduais e o núcleo próximo ao ex-presidente, que busca manter presença em assembleias, câmaras e prefeituras.
