Auxiliares do Governo Lula avaliam com reserva a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou, nesta sexta-feira (20/2), as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a produtos de diversos países, entre eles o Brasil, considerada um gesto relevante, porém de impacto ainda incerto para a economia nacional.
Como foi o tarifaço contra o Brasil?
O “tarifaço” foi o conjunto de medidas da administração Donald Trump que elevou em até 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, encarecendo mercadorias e reduzindo a competitividade no mercado americano. Setores de bens industrializados, insumos metálicos, produtos químicos e parte do agronegócio perderam espaço e precisaram buscar mercados alternativos.
Especialistas em comércio exterior apontam que o tarifaço atuou como freio em cadeias produtivas dependentes dos EUA, forçando renegociações de contratos e substituição de fornecedores brasileiros.
Como o governo Lula diz reagiu à decisão dos EUA?
Segundo informações do Metrópoles, apesar da derrubada das tarifas pela Suprema Corte dos EUA, o governo Lula adota cautela e considera prematuro projetar uma recuperação automática das exportações. A equipe econômica destaca que o efeito concreto dependerá da forma de implementação da decisão e de ajustes regulatórios norte-americanos.
Para explicar essa postura prudente, auxiliares ressaltam fatores que podem atrasar ou limitar os ganhos imediatos para o Brasil e exigem monitoramento contínuo:
- Prazo de transição: mudanças em sistemas aduaneiros e tributários dos EUA podem retardar a queda efetiva das tarifas.
- Recomposição de contratos: exportadores precisam renegociar preços, logística e volumes com compradores americanos.
- Concorrência internacional: países que ocuparam o espaço brasileiro durante o tarifaço tendem a manter presença forte.
- Capacidade de resposta interna: custos elevados, burocracia e infraestrutura precária podem limitar a retomada.
Como o fim do tarifaço pode afetar a economia brasileira?
A retirada das tarifas adicionais abre espaço para recuperação gradual das exportações brasileiras, especialmente em segmentos em que o país já é competitivo, como manufaturados e parte do agronegócio. O mercado americano segue como destino estratégico, e a redução de custos alfandegários tende a facilitar novas vendas e reativar parcerias comerciais.
Analistas apontam possíveis efeitos positivos na balança comercial, estímulo à indústria e geração de empregos ligados à cadeia exportadora, mas lembram que competitividade depende também de câmbio, produtividade e ambiente de negócios.
Qual pode ser o impacto político da decisão nas relações Brasil-EUA?
A decisão da Suprema Corte pode reduzir tensões comerciais e criar ambiente mais favorável ao diálogo, inclusive no encontro previsto entre Lula e Donald Trump. No entanto, assessores do Planalto avaliam que a agenda bilateral continuará abrangendo temas como segurança, meio ambiente, energia e investimentos.
O fim do tarifaço tende a aparecer como sinal de previsibilidade regulatória e oportunidade de reconstrução de confiança entre os dois países, mas não redefine sozinho o conteúdo das conversas. Diplomatas brasileiros seguem monitorando os desdobramentos junto a empresas e entidades setoriais para calibrar a estratégia negociadora. Veja publicação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad:
O Brasil, em todos os momentos se comportou diplomaticamente da maneira mais correta.
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) February 20, 2026
Acreditou no diálogo, na disputa pelos canais competentes tanto na OMC quanto no Judiciário americano, estabelecendo uma conversa direta para falar de temas relevantes.
O Brasil, do ponto de…
Quais são os próximos passos para o Brasil?
Para transformar a decisão em ganhos duradouros, o governo e o setor privado discutem medidas para acelerar a resposta exportadora, revisando gargalos logísticos e incentivando acordos mais estáveis com parceiros americanos. Há também interesse em diversificar a pauta exportadora, agregando valor a produtos industriais e agroindustriais.
Negociadores brasileiros acompanham de perto a implementação das mudanças pelos EUA e coletam dados sobre fluxos de exportação, a fim de medir o real alcance da decisão. A avaliação interna é que o fim do tarifaço representa uma oportunidade relevante, mas que só se consolidará com coordenação.