O anúncio da oferta gratuita do Implanon na rede pública do Distrito Federal marca uma mudança importante na política de planejamento reprodutivo, ampliando o acesso a um método contraceptivo de longa duração para grupos em maior vulnerabilidade social e com necessidades clínicas específicas.
Quem tem direito ao Implanon gratuito pelo SUS no DF?
No Distrito Federal, a SES-DF passou a disponibilizar o Implanon em 2026, após receber 10.095 unidades em dezembro de 2025 para aplicação em unidades básicas de saúde. Embora o Ministério da Saúde recomende a oferta para mulheres de 14 a 49 anos, estados e municípios têm autonomia para definir o público-alvo conforme o contexto local.
Na rede privada, o Implanon tem custo elevado, entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, o que restringe o acesso de grande parte da população. Ao ser incorporado pelo SUS no DF para públicos prioritários, o dispositivo passa a integrar a estratégia de ampliação do acesso a contraceptivos de alta eficácia, ajudando a reduzir gravidez não planejada e desigualdades em saúde.
Quem faz parte do grupo prioritário que recebe o Implanon?
A SES-DF definiu grupos prioritários com maior risco social, histórico de violência, condições clínicas complexas ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A ampliação para outros segmentos da população dependerá da chegada de novos lotes, mantendo-se inicialmente o foco em quem enfrenta mais barreiras à proteção reprodutiva.
Esses critérios visam reduzir gravidez não planejada, violência de gênero e complicações de saúde, dialogando com metas nacionais como a diminuição da mortalidade materna, especialmente entre mulheres negras. Entre os grupos contemplados pela SES-DF estão:
- Adolescentes de 14 a 19 anos, com ou sem histórico de gravidez.
- Usuárias de Talidomida ou parceiras estáveis de pessoas em uso do medicamento, quando indicado.
- Mulheres com tuberculose multidroga resistente em uso de aminoglicosídeos.
- Puérperas de alto risco, com comorbidades graves que contraindiquem nova gestação.
- Vítimas de violência doméstica encaminhadas por serviços especializados, como o NUPAV e casas de acolhimento.
- Mulheres privadas de liberdade e adolescentes em medida socioeducativa.
- Vítimas de violência sexual atendidas pelo Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei do DF (PIGL-DF).
- Moradoras de áreas rurais com dificuldade de acesso frequente aos serviços de saúde.
- Mulheres com deficiência que não desejem gestar ou tenham contraindicação para gestação.
- Indígenas, imigrantes, refugiadas e apátridas.
- Profissionais do sexo.
- Mulheres com endometriose profunda.
- Homens trans que desejem evitar gravidez.
Como o Implanon funciona e por que é um método tão eficaz?
O Implanon é um implante contraceptivo subdérmico em formato de pequeno bastão flexível, colocado sob a pele da parte interna do braço. Ele libera hormônio de forma contínua, impedindo a ovulação e dificultando a fertilização, com eficácia superior a 99%, comparável a métodos cirúrgicos como laqueadura, porém reversível.
Classificado como contraceptivo reversível de longa duração (LARC), pode permanecer no organismo por até três anos e não depende de uso diário ou mensal, reduzindo falhas por esquecimento. A inserção é simples, com anestesia local, realizada por médicos ou enfermeiros capacitados, sem necessidade de internação.
Como ter acesso ao Implanon gratuito na rede pública do DF?
Para ter acesso ao Implanon pelo SUS no DF, a pessoa precisa se enquadrar em um dos grupos prioritários definidos pela SES-DF. O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para avaliação clínica, esclarecimento de dúvidas e definição do melhor método contraceptivo para cada caso.
O fluxo de atendimento costuma seguir etapas padronizadas, garantindo segurança e informação adequada antes da inserção do implante:
- Procura da UBS de referência para agendamento.
- Consulta com médico ou enfermeiro para análise do histórico de saúde e identificação de possíveis contraindicações.
- Esclarecimento sobre o funcionamento do implante, tempo de duração, possíveis efeitos e alternativas disponíveis.
- Inserção do Implanon na própria unidade, caso não haja impedimentos clínicos.
Quais são os resultados esperados com a oferta do Implanon pelo SUS?
Após três anos, o bastão precisa ser retirado, e, se houver interesse, é possível realizar imediatamente a troca por um novo implante, seguindo os mesmos critérios de priorização. A fertilidade tende a retornar rapidamente após a remoção, reforçando o caráter reversível do método para quem deseja engravidar no futuro.
A distribuição gratuita do Implanon no DF integra uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Ao ampliar o acesso a métodos contraceptivos seguros e de longa duração, a política busca reduzir gravidezes não planejadas e evitar complicações na gestação.