Tomar remédio de forma incorreta é um hábito mais comum do que se imagina e pode trazer riscos reais à saúde, especialmente quando o paciente adapta comprimidos e cápsulas por conta própria, sem orientação profissional.
Qual é o principal erro ao tomar medicamentos?
Um dos erros mais frequentes é modificar a forma física do remédio sem indicação, como partir, triturar ou abrir cápsulas por conta própria. Muitos comprimidos e cápsulas usam tecnologia específica para liberar o princípio ativo lentamente ou em ponto exato do trato digestivo.
Quando a forma farmacêutica é alterada, o mecanismo de liberação pode ser rompido, levando à perda de eficácia ou aumento de efeitos adversos. Em vez de uma ação contínua, o corpo pode receber uma “carga” rápida do fármaco, que nem sempre é bem tolerada e pode ser perigosa.
Por que nem todos os comprimidos podem ser partidos ou triturados?
Medicamentos de liberação modificada são formulados para agir por mais tempo e de forma controlada no organismo, por isso não devem ser esmagados ou ter a cápsula aberta. O revestimento também pode proteger o estômago de substâncias irritantes ou o próprio remédio do ácido gástrico.
Ao remover essa proteção, o paciente pode sofrer irritação digestiva, reduzir a eficácia do tratamento ou ter contato direto com pó irritante. Em pessoas idosas, com doenças crônicas ou polimedicação, essa alteração aumenta ainda mais o risco de falhas terapêuticas e eventos adversos graves. Veja os perigos:
💊 Por que nem todos os comprimidos podem ser partidos ou triturados?
🛡️ Revestimento especial
Alguns comprimidos possuem camada protetora que evita irritação no estômago ou protege o medicamento do ácido gástrico.
⏱️ Liberação prolongada
Medicamentos de ação lenta liberam o princípio ativo aos poucos. Triturar pode causar liberação rápida e risco de overdose.
⚖️ Dose exata comprometida
O princípio ativo pode não estar distribuído uniformemente, causando ingestão incorreta da dose.
👅 Proteção contra gosto
O revestimento também mascara sabores ou odores muito amargos e desagradáveis.
⚠️ Segurança do paciente
Alguns medicamentos podem ser tóxicos ao contato ou inalação do pó quando triturados.
📉 Eficácia reduzida
Alterar o formato pode diminuir ou até anular o efeito terapêutico esperado.
Quais alternativas existem para quem tem dificuldade em engolir medicamentos?
Para quem tem dificuldade em engolir comprimidos, é fundamental buscar alternativas com um profissional de saúde, em vez de adaptar o remédio em casa. O médico ou farmacêutico pode avaliar outras apresentações, doses e formas de uso mais seguras.
Essas alternativas ajudam a manter a eficácia do tratamento sem comprometer a segurança do paciente, especialmente em crianças, idosos e pessoas com problemas de deglutição:
- Versões líquidas de alguns medicamentos.
- Comprimidos menores com a mesma substância ativa.
- Gotas ou soluções orais específicas.
- Opções de ajuste de dose que evitem manipulação caseira.
Quais são os riscos do uso excessivo de paracetamol e ibuprofeno?
O uso cotidiano e sem supervisão de analgésicos como paracetamol e ibuprofeno pode levar a abusos silenciosos e mascarar doenças mais sérias. Em curto prazo, dentro da dose recomendada, costumam ser seguros, mas o uso prolongado ou em excesso traz riscos importantes.
O paracetamol em excesso está ligado a danos ao fígado e rins, muitas vezes sem sintomas imediatos, enquanto o ibuprofeno em altas doses ou por longos períodos pode afetar estômago, intestino, rins, pressão arterial e função cardiovascular, sobretudo em pessoas com fatores de risco prévios:
- Seguir rigorosamente a dose indicada na bula ou pelo médico.
- Evitar o uso contínuo por vários dias sem orientação.
- Observar sinais como mal-estar, enjoo, dor abdominal ou pele amarelada.
- Buscar atendimento médico se houver suspeita de uso em excesso.
Como usar medicamentos de forma segura no dia a dia?
Usar remédios com segurança exige seguir a prescrição, respeitar horários e doses e não modificar comprimidos ou cápsulas por conta própria. Ler a bula, tirar dúvidas e evitar automedicação prolongada são atitudes essenciais para reduzir riscos e garantir a eficácia do tratamento.
Em caso de dúvida, o ideal é conversar com médico ou farmacêutico, que podem orientar sobre apresentação mais adequada, combinações a evitar e limites seguros de uso, para que a medicação cumpra seu papel de tratar e proteger a saúde com responsabilidade.
