O falecimento de Antônio Lisboa, conhecido como Seu Boinha, aos 69 anos, na noite de terça-feira (17/2/2026), encerrou uma internação marcada por um procedimento médico pouco comum: a preservação de parte do crânio na região abdominal, fato que despertou grande atenção nas redes sociais.
Como foi anunciada a morte de Seu Boinha?
A morte foi confirmada pelo filho, o influenciador digital Francisco Garcia, que vinha atualizando o estado de saúde do pai nas redes sociais e agradeceu as mensagens de apoio recebidas de várias partes do país. Após o anúncio, uma amiga da família, identificada como Thaís, informou que Francisco se afastaria temporariamente das redes, e que detalhes sobre velório e despedida seriam divulgados posteriormente, em clima de recolhimento.
Como funciona a cirurgia que guarda parte do crânio na barriga?
Antes da morte, Seu Boinha passou por múltiplas cirurgias na cabeça em um hospital de Palmas, incluindo a retirada de parte do crânio, que foi colocada na região abdominal para preservação temporária do osso em ambiente protegido. Essa técnica é adotada em situações neurológicas complexas, para reduzir riscos de perda do material, permitir futura reposição e dar espaço para o cérebro desinchar após traumas ou sangramentos.
No caso de Antônio, o estado de saúde já era considerado extremamente delicado após as intervenções, com internação em UTI, ausência de consciência plena e reação apenas a estímulos, além de quadro infeccioso e necessidade de transfusões de sangue. Em pacientes idosos, a combinação de idade avançada, múltiplas cirurgias, infecções e fragilidade geral aumenta significativamente o risco de complicações, ainda que a técnica siga protocolos reconhecidos em hospitais do país. Veja a publicação do filho de seu Boinha nas redes sociais:
Como evoluiu o quadro clínico de Seu Boinha antes da morte?
Na semana anterior ao óbito, Francisco relatou publicamente que a situação do pai havia passado de “gravíssima” para “morte iminente”, após os médicos observarem alterações importantes em todos os exames de uma noite para a outra. A equipe teria pedido que a família se preparasse “para o pior”, orientação comum quando as chances de reversão do quadro se tornam muito reduzidas, mesmo com suporte máximo de UTI.
Durante a internação, familiares mencionavam pequenos avanços, como momentos de controle da febre, mas ressaltavam que o paciente seguia sem despertar e com infecção impactando diretamente a condição neurológica. Nesses cenários, os profissionais acompanham uma série de indicadores para definir prognóstico e orientar a família, como:
- Respostas a estímulos físicos, de dor e avaliação da escala de coma;
- Parâmetros respiratórios, hemodinâmicos e necessidade de suporte ventilatório;
- Resultados de exames laboratoriais, de imagem e evolução de focos infecciosos;
- Resposta do organismo a antibióticos, transfusões e demais terapias de suporte.
Por que o caso de Seu Boinha repercutiu tanto nas redes sociais?
O caso ganhou grande projeção por envolver o influenciador digital Francisco Garcia, já conhecido do público, e por expor um procedimento médico incomum, muitas vezes descrito como “cirurgia que guarda o crânio na barriga”. A combinação entre a gravidade do quadro, a transparência dos boletins de saúde e o impacto emocional mobilizou milhares de seguidores em diferentes plataformas, gerando buscas sobre UTI, neurocirurgia e prognóstico em idosos.
A técnica de retirar e preservar parte do osso craniano no abdômen é usada em situações específicas, como traumas graves com risco de aumento de pressão intracraniana, necessidade de espaço para o cérebro desinchar e proteção do osso até possível reposicionamento, evitando próteses imediatas. Mesmo com todos esses cuidados, o estado geral de Seu Boinha não se estabilizou, e a morte, registrada às 22h24 de 17 de fevereiro, encerrou dias de orações, atualizações constantes e comoção, enquanto a família organiza a despedida e lida com o luto.
Quais os impactos do caso?
A trajetória de Antônio ilustra a complexidade do cuidado intensivo em quadros neurológicos graves em pacientes idosos, nos quais infecção, fragilidade sistêmica e múltiplas cirurgias elevam o risco de desfechos desfavoráveis. Mesmo com recursos avançados de UTI e uso de técnicas específicas, como a preservação do osso craniano no abdômen, a resposta do organismo pode ser limitada, especialmente quando há comprometimento prolongado do cérebro.
O episódio também chama atenção para a importância da comunicação clara entre equipes médicas e familiares, prática que se evidenciou nas atualizações constantes feitas por Francisco e nas orientações sobre o prognóstico. Ao mesmo tempo, o caso reforça o papel das redes sociais na construção de narrativas públicas sobre doença, finitude e luto, aproximando o público de temas complexos da medicina moderna.