A discussão sobre os chamados “dentes de Ozempic” ganhou espaço entre profissionais de saúde e pacientes que utilizam medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, para controle de diabetes tipo 2 e perda de peso, levantando dúvidas sobre possíveis efeitos colaterais na boca.
O que são os “dentes de Ozempic” e quais alterações podem ocorrer?
O termo dentes de Ozempic descreve o aumento de cáries, sensibilidade, fraturas dentárias e retração gengival em usuários de semaglutida. A expressão não é um diagnóstico oficial, mas uma forma popular de agrupar essas alterações orais observadas na prática clínica.
Relatos de dentistas, como o de Gerry Curatola, sugerem crescimento de casos ao longo dos últimos anos, levantando suspeita de relação com inibidores de GLP-1. Ainda assim, nem todos os pacientes serão afetados, e fatores pré-existentes de saúde bucal têm grande influência.
Como a boca seca e a vitamina D podem afetar dentes e gengivas?
Uma explicação frequente é a xerostomia (boca seca), pois a semaglutida pode reduzir a produção de saliva. Menos saliva dificulta a neutralização de ácidos, a limpeza dos dentes e a remineralização do esmalte, favorecendo cáries, mau hálito e inflamações gengivais.
Outro ponto discutido é a possível redução de vitamina D em uso prolongado, afetando absorção de cálcio e suporte ósseo ao redor dos dentes. Com a estrutura óssea enfraquecida, a gengiva pode retrair com mais facilidade, aumentando sensibilidade e exposição radicular.
Quais problemas bucais têm sido associados ao uso de Ozempic?
Os “dentes de Ozempic” parecem surgir com maior frequência em pessoas com doença periodontal prévia, higiene bucal deficiente ou dieta pobre em proteínas e micronutrientes. Nesses casos, o medicamento pode agir como gatilho ou agravante, e não como causa única.
Entre os principais problemas relatados por dentistas e pacientes, destacam-se alterações que podem ser notadas no dia a dia, muitas vezes de forma progressiva e silenciosa se não houver acompanhamento regular:
- Aumento de cáries, sobretudo próximas à gengiva, em áreas com maior retenção de placa.
- Retração gengival, deixando parte da raiz exposta e intensificando a sensibilidade ao frio e ao quente.
- Dentes mais frágeis, com maior risco de lascas, fissuras e fraturas em atividades rotineiras de mastigação.
Como reduzir o risco de “dentes de Ozempic” durante o tratamento?
Apesar das preocupações, muitos efeitos podem ser controlados e prevenidos com medidas simples na rotina. A combinação de hidratação adequada, alimentação equilibrada, suplementação orientada e boa higiene bucal é essencial para quem usa inibidores de GLP-1.
Profissionais de saúde recomendam atenção especial em pacientes com perda de peso rápida, histórico de cárie ou doença periodontal. O objetivo é identificar sinais iniciais e agir precocemente, antes que ocorram danos irreversíveis aos dentes e gengivas:
- Hidratação reforçada
Beber água com frequência ajuda a amenizar a boca seca e a favorecer a limpeza natural da cavidade oral. Em alguns casos, pode-se usar saliva artificial ou géis hidratantes, com indicação profissional. - Aumento da ingestão de proteínas
Uma dieta rica em proteínas contribui para a manutenção de gengiva, mucosa oral e massa magra, aspecto relevante em perdas de peso aceleradas. - Avaliação de vitamina D e cálcio
Exames periódicos permitem detectar deficiências de vitamina D e cálcio; se necessário, o médico pode prescrever suplementação personalizada. - Higiene bucal rigorosa
Escovar após as refeições, usar fio dental e cremes com flúor ajuda a compensar parcialmente o impacto da xerostomia; enxaguantes sem álcool são preferíveis. - Consultas regulares ao dentista
Aumentar a frequência das consultas possibilita detectar cedo retração gengival, cáries iniciais e inflamações, ajustando o plano de prevenção.
Quais outros efeitos do Ozempic exigem atenção médica?
Além dos “dentes de Ozempic”, surgiram termos como “cara de Ozempic”, “seios de Ozempic” e “dedos de Ozempic”, referentes à perda de volume e flacidez pela redução rápida de gordura corporal. Essas mudanças variam conforme genética, idade, velocidade do emagrecimento e cuidados com pele e musculatura.
Também há preocupação com o risco de pancreatite, inflamação do pâncreas associada a inibidores de GLP-1 em alguns estudos observacionais. Dores abdominais intensas, náuseas e vômitos exigem avaliação imediata, pois, embora os benefícios do tratamento superem os riscos para a maioria, o uso seguro depende de acompanhamento médico e odontológico próximo.