O colesterol ruim, conhecido como LDL, está diretamente ligado à formação de placas de gordura nas artérias, o que pode levar a infarto, AVC e morte súbita, por isso qualquer estratégia simples e segura que ajude a controlá-lo desperta grande interesse em saúde pública.
Qual a importância dos alimentos fermentados com microrganismos vivos?
Um estudo recente da Universidade de Newcastle, na Austrália, chama a atenção para um aliado acessível: os alimentos fermentados com microrganismos vivos, como iogurte natural e kefir, que podem contribuir para a saúde cardiovascular. Segundo os pesquisadores, o consumo regular desses alimentos está associado a níveis mais altos de colesterol bom (HDL), melhor controle de peso e glicose e menor acúmulo de gordura abdominal.
A pesquisa sugere que incluir alimentos fermentados na rotina diária é uma forma prática de reduzir o risco de doenças do coração quando integrada a um estilo de vida saudável. Esses produtos passam por fermentação controlada, mantêm bactérias benéficas ativas e funcionam como fonte natural de probióticos, capazes de influenciar o metabolismo de gorduras e o equilíbrio da flora intestinal.
Quais são os principais alimentos naturais ricos em probióticos?
Entre as opções avaliadas no estudo, alguns alimentos se destacaram como fontes importantes de bactérias vivas, especialmente quando consumidos com baixo teor de açúcar e poucos aditivos. Eles já eram conhecidos por auxiliar na saúde intestinal e digestiva, mas agora ganham destaque também pela possível proteção cardiovascular.
Esses alimentos podem ser facilmente incluídos no dia a dia, em pequenas porções distribuídas nas refeições, ajudando a diversificar a dieta. Abaixo estão alguns exemplos de fontes comuns de probióticos que podem fazer parte de um plano alimentar equilibrado:
- Iogurtes naturais sem adição excessiva de açúcares;
- Kefir, bebida fermentada à base de leite ou água;
- Kombucha, bebida feita a partir da fermentação do chá;
- Kimchi, preparação fermentada típica da culinária asiática;
- Chucrute, repolho fermentado bastante consumido em alguns países.
Como os alimentos fermentados podem agir sobre o colesterol LDL?
Para investigar o efeito sobre o colesterol LDL, os pesquisadores criaram um banco de dados com cerca de 200 alimentos e bebidas comuns na Austrália, estimando a quantidade de bactérias boas em cada item. A maioria foi classificada como de baixo teor de microrganismos vivos, enquanto 21 apresentaram níveis moderadamente altos, e apenas o iogurte e o creme azedo mostraram concentrações realmente elevadas.
O estudo acompanhou 58 adultos saudáveis, incluindo gestantes e pessoas em uso de medicamentos para emagrecer, por três a seis meses, avaliando a frequência de consumo desses alimentos. Aqueles que ingeriam mais itens fermentados com culturas vivas apresentaram níveis mais elevados de HDL, menor peso corporal e IMC mais controlado, melhor controle da glicose e menor circunferência abdominal, possivelmente pela maior produção de ácidos graxos de cadeia curta no cólon.
Como os probióticos podem influenciar o metabolismo e o coração?
A principal hipótese dos cientistas é que os alimentos fermentados favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam a regular o metabolismo e influenciam biomarcadores cardiovasculares e inflamatórios. Esses compostos podem contribuir para reduzir o impacto do colesterol LDL no organismo e melhorar a sensibilidade à insulina, favorecendo o controle da glicemia.
Além disso, a modulação da flora intestinal por probióticos parece ter efeito relevante no equilíbrio do sistema imunológico e na inflamação crônica de baixo grau, fatores ligados ao risco cardiovascular. Ainda assim, os autores reforçam que a evidência atual é observacional e que outros componentes do estilo de vida, como atividade física, padrão geral da dieta e consumo de álcool, também exercem papel decisivo na saúde do coração. Veja mais dicas sobre alimentos probióticos no vídeo divulgado pelo médico Dr. Marcelo Werneck:
@dr.marcelowerneck Você sabe o que são probióticos? São alimentos que contêm bactérias benéficas vivas, fundamentais para a saúde intestinal e geral! Aqui vão alguns exemplos que você pode incluir na sua dieta: Iogurte (mas atenção: só os que possuem bactérias vivas no rótulo!) Kefir Kombucha (chá fermentado delicioso e saudável) Missô (tradicional pasta japonesa fermentada) Queijos fermentados (certifique-se que são ricos em probióticos) Picles naturais (especialmente o de pepino fermentado) Esses alimentos ajudam a melhorar a saúde do seu intestino, fortalecem a imunidade e contribuem para um melhor funcionamento digestivo! Gostou da dica? Curta, compartilhe e siga para mais conteúdos sobre saúde intestinal! #Probióticos #SaúdeIntestinal #AlimentaçãoSaudável #Kefir #Kombucha #IogurteProbiótico #Missô #Picles #Nutrição #DicasDeSaúde #DrMarceloWerneck #IntestinoSaudável #VidaSaudável #BemEstar #Proctologia #Coloproctologia #Microbiota #Imunidade ♬ som original – Dr. Marcelo Werneck
Como incluir alimentos fermentados na rotina diária de forma equilibrada?
O estudo reforça que o consumo regular de alimentos com microrganismos vivos em níveis médios ou altos pode ter efeito protetor contra doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas com HDL baixo. Na prática, o ideal é distribuí-los ao longo do dia, em substituição a opções ultraprocessadas, sem mudanças radicais e mantendo atenção ao teor de açúcar, sal e calorias.
Algumas estratégias simples incluem trocar sobremesas muito açucaradas por iogurte natural com frutas, usar kefir no café da manhã com cereais integrais, adicionar pequenas porções de chucrute ou kimchi às refeições principais e consumir kombucha eventualmente no lugar de refrigerantes. Mesmo com resultados promissores, os pesquisadores destacam que novos estudos são necessários, e que esses alimentos devem ser vistos como parte de um conjunto mais amplo de cuidados com o coração.