As conversas entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano ganharam um novo capítulo em Genebra, na Suíça, com o início da segunda rodada de negociações nesta terça-feira (17/2), em meio a um cenário de alta tensão regional e grande incerteza diplomática.
Como estão as negociações nucleares entre EUA e Irã?
No centro das conversas está o programa nuclear iraniano e a tentativa de encontrar um modelo de acordo que satisfaça tanto as preocupações de segurança dos Estados Unidos quanto as demandas de soberania e desenvolvimento econômico do Irã. Teerã busca um entendimento que gere benefícios econômicos mútuos, com foco na suspensão de sanções, acesso a mercados e retomada de investimentos estrangeiros.
Para Washington, a principal condição é que o Irã aceite limites verificáveis em suas atividades nucleares, garantindo que o programa tenha caráter estritamente civil e transparente. Esses limites envolvem pontos técnicos complexos, que se tornaram eixo central das discussões em Genebra e são acompanhados de perto por organismos internacionais.
- nível de enriquecimento de urânio permitido;
- quantidade de centrífugas em operação;
- acesso de inspetores internacionais a instalações estratégicas;
- cronograma de redução ou suspensão de sanções econômicas.
Quais são os principais obstáculos para um acordo entre Washington e Teerã?
Em visita a Budapeste, capital da Hungria, nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que será difícil alcançar um entendimento com o Irã. Segundo ele, o país é governado por clérigos e “toma decisões políticas com base em pura teologia”, o que, na visão de Washington, torna o processo menos previsível.
Essa percepção se soma a um histórico de desconfiança desde a Revolução Islâmica de 1979, marcado por crises de reféns, sanções sucessivas e disputas por influência no Oriente Médio. Nas negociações atuais, esse passado funciona como pano de fundo constante, influenciando cálculos internos, a reação de parlamentos e a postura de aliados regionais.
Quais dimensões estratégicas influenciam as negociações em Genebra?
Analistas observam que, além dos pontos técnicos, três dimensões costumam pesar na mesa de Genebra e ajudam a explicar a cautela de ambos os lados. Esses fatores envolvem não apenas segurança e política, mas também impactos econômicos diretos sobre a população iraniana e sobre parceiros internacionais:
- Segurança regional: impacto do programa nuclear na correlação de forças no Oriente Médio.
- Política interna: pressão de parlamentares, militares e grupos religiosos em cada país.
- Economia: efeito das sanções sobre a população iraniana e sobre empresas estrangeiras interessadas no mercado local.
Como as negociações podem evitar um novo confronto militar?
As conversas em Genebra ocorrem em um contexto de reforço militar americano na região, com o envio de um segundo porta-aviões para áreas estratégicas próximas ao Irã. Segundo autoridades ouvidas pela agência Reuters, os Estados Unidos se preparam para a possibilidade de uma campanha militar prolongada caso as negociações fracassem, usando a presença militar como pressão e plano de contingência.
O objetivo declarado de ambos os lados, porém, é evitar um novo confronto de larga escala, que poderia aprofundar dificuldades econômicas para o Irã e gerar custos financeiros e políticos elevados para Washington. Nesse cenário, a mesa de Genebra funciona como ponte entre o entendimento diplomático e a escalada bélica, com grande atenção de governos, mercados e organismos internacionais.
Quais fatores podem ser decisivos para o avanço do diálogo em Genebra?
Ao retomarem o diálogo no início deste mês, Estados Unidos e Irã sinalizaram que ainda enxergam espaço para barganha e ajustes graduais. Especialistas ressaltam que, para transformar essa segunda rodada em um resultado concreto, será necessário combinar garantias de segurança, benefícios econômicos e mecanismos de fiscalização robustos.
Entre os pontos considerados decisivos para que a negociação avance e reduza o risco de ruptura súbita estão fatores que buscam dar previsibilidade ao processo e criar confiança mínima entre as partes, permitindo que o acordo seja politicamente sustentável em Teerã, Washington e junto aos aliados:
- definição clara de etapas e prazos para implementação de um eventual acordo;
- mecanismos de verificação aceitos por ambos os lados, reforçando a confiança;
- gestos públicos que reduzam a retórica hostil e demonstrem disposição de compromisso;
- participação coordenada de outros atores internacionais interessados na estabilidade regional.