A Receita Federal atualizou os critérios da e-Financeira para monitorar contas com movimentação global a partir de R$ 5 mil para pessoas físicas. O alerta foca no cruzamento de dados para identificar rendas omitidas, e não em uma nova taxação sobre o Pix.
Como funciona o novo limite de monitoramento bancário?
A partir deste ano, bancos e fintechs devem reportar semestralmente ao Fisco o volume total de débitos e créditos de contas que atinjam o patamar estipulado. Para pessoas jurídicas, o teto que dispara o informe obrigatório é de R$ 15 mil mensais acumulados na conta bancária.
É importante destacar que a Receita Federal não recebe o detalhamento de cada transação individual ou o motivo do envio. O órgão analisa o montante consolidado para verificar se o estilo de vida e a movimentação financeira do cidadão são compatíveis com a renda declarada.
Quais rendimentos recebidos via Pix devem ser declarados?
O contribuinte não declara o meio de pagamento, mas sim a natureza da receita que aquele valor representa no seu patrimônio. Qualquer entrada que configure renda tributável, independentemente de ser via Pix ou TED, precisa constar no ajuste anual do Imposto de Renda.
Confira os principais tipos de recebimentos que exigem atenção na declaração de 2026:
Como a inteligência artificial do Fisco cruza as informações?
O sistema de análise de risco do Governo Federal confronta os relatórios das instituições financeiras com outras bases de dados, como notas fiscais e registros de cartórios. Se uma pessoa movimenta R$ 20 mil mensais via Pix mas declara renda de R$ 3 mil, o alerta de malha fina é gerado automaticamente.
Para evitar problemas com a fiscalização digital, o profissional deve seguir estas diretrizes de organização:
- Separar rigorosamente as contas bancárias de pessoa física das movimentações de CNPJ ou MEI.
- Registrar mensalmente no Carnê-Leão os valores recebidos de outras pessoas físicas por serviços prestados.
- Guardar comprovantes e extratos que justifiquem transferências isentas, como reembolsos ou divisões de despesas.
O que pode levar o contribuinte direto para a malha fina?
A omissão de receitas recorrentes vindas de atividades informais é o principal gatilho para auditorias em 2026. O uso de contas de terceiros para transacionar valores próprios também é facilmente detectado pelos vínculos familiares e patrimoniais mapeados pela Receita Federal.
Doações de alto valor sem o devido respaldo legal ou o pagamento do imposto estadual correspondente podem gerar cobranças pesadas. O Fisco observa o filme completo da vida financeira do indivíduo, buscando incoerências entre o crescimento dos bens e os rendimentos informados.
Como manter a regularidade fiscal diante do rastreio digital?
A transparência é a melhor estratégia para o contribuinte que utiliza o Pix como ferramenta principal de trabalho ou gestão pessoal. Emitir recibos e notas fiscais garante que a origem do dinheiro seja lícita e esteja devidamente documentada para qualquer eventual esclarecimento.
Manter a contabilidade em dia evita a aplicação de multas que podem chegar a 150% sobre o imposto devido em casos de fraude comprovada. A tecnologia da Receita em 2026 tornou a sonegação por volume de movimentação uma prática de altíssimo risco e baixa eficiência.