Um empresário de Goiânia tornou-se alvo de uma investigação policial após receber, por equívoco, um crédito de R$ 18,6 milhões em sua conta bancária. Em vez de comunicar a falha à instituição, o homem utilizou parte do montante para adquirir um veículo de luxo e realizar transferências para familiares, o que resultou em um inquérito por crimes que podem somar onze anos de prisão.
Como ocorreu o erro milionário no sistema bancário?
A falha sistêmica aconteceu entre os dias 26 e 27 de dezembro, originada no processo de conciliação de vendas com cartão do Banco Safra. O erro creditou valores astronômicos nas contas de diversos clientes; no caso do dono de restaurante em Goiás, o saldo saltou de apenas R$ 27 mil para mais de dezoito milhões de reais em poucas horas.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, não havia lastro financeiro na empresa que justificasse movimentações dessa magnitude. A rapidez com que os valores foram pulverizados chamou a atenção das autoridades, uma vez que o empresário realizou cinco transferências vultosas em um intervalo de apenas dezessete minutos após o crédito indevido.
O que o cliente fez com o dinheiro recebido por engano?
Ao notar a cifra milionária, o investigado transferiu mais de R$ 1,1 milhão para contas pessoais, de seu pai e de terceiros. O movimento mais controverso foi a utilização de R$ 280 mil para a compra imediata de um Porsche, registrado em nome de uma amiga, o que a polícia interpreta como uma tentativa de ocultação de patrimônio.
Embora o Banco Safra tenha conseguido bloquear a maior parte das operações assim que detectou a inconsistência, o pagamento do automóvel não pôde ser revertido de forma automática. Para entender como cada movimentação impactou o processo e a gravidade das penas envolvidas, analise o resumo técnico das operações abaixo:
Quais crimes o empresário responde perante a Justiça?
A Polícia Civil de Goiás indiciou o empresário por apropriação de coisa havida por erro (Art. 169 do Código Penal), lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O pai e a amiga do investigado também foram indiciados por falsidade ideológica, devido à participação na logística de movimentação e registro dos bens adquiridos com o dinheiro alheio.
A defesa alega que o cliente sofreu um “equívoco jurídico” e que ele acreditava tratar-se de valores referentes à venda de parte de seu restaurante. Entretanto, os investigadores apontam que o valor esperado pelo negócio (entre R$ 660 mil e R$ 1,4 milhão) é muito inferior aos R$ dezoito milhões creditados, o que enfraquece a tese de confusão espontânea.
Quais são as consequências de não devolver valores recebidos por erro?
A legislação brasileira é clara: receber um valor indevido e agir para integrá-lo ao patrimônio pessoal, sabendo do erro, configura crime. Em 2026, com o rastreamento digital avançado, as chances de retenção bem-sucedida de grandes quantias são nulas, resultando quase sempre em processos criminais e bloqueios de bens.
Para garantir que a integridade do correntista seja mantida e evitar complicações com o Poder Judiciário em situações similares, observe as recomendações de conduta ética abaixo:
- Notificar a instituição bancária imediatamente por canais oficiais de atendimento.
- Não realizar nenhuma transferência ou pagamento utilizando o saldo excedente.
- Registrar um Boletim de Ocorrência preventivo para documentar a boa-fé na devolução.
Qual a situação atual do veículo e do processo em 2026?
Atualmente, o Porsche permanece sob custódia judicial, podendo ir a leilão caso o empresário seja condenado definitivamente. O mérito da questão penal ainda tramita nos tribunais goianos, onde se discute se houve dolo (intenção de cometer o crime) ou se o réu de fato acreditava na legitimidade da origem do dinheiro.
Este caso serve como um alerta rigoroso para correntistas e empresários em todo o Brasil. O uso indevido de recursos provenientes de falhas bancárias não é uma “sorte”, mas um gatilho para investigações de lavagem de dinheiro que podem destruir reputações e resultar em longas penas de reclusão.