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Início Justiça

Defesa de Daniel Vorcaro confirma ida à CPMI do INSS e aponta para revelações do empresário que “não ficará calado”

Por Junior Melo
13/fev/2026
Em Justiça
Defesa de Daniel Vorcaro confirma ida à CPMI do INSS e aponta para revelações do empresário que "não ficará calado"

Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução/X

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O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornou-se um dos pontos centrais das investigações sobre fraudes no sistema financeiro e possíveis desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em meio a suspeitas de irregularidades em operações de crédito e fundos de investimento.

Por que Daniel Vorcaro decidiu que não ficará em silêncio?

A defesa de Daniel Vorcaro informou que ele comparecerá tanto à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) quanto à CPMI do INSS no Senado Federal, previstas para 24 e 26 de fevereiro de 2026, e que responderá às perguntas, evitando usar o direito ao silêncio de forma ampla. Atualmente em prisão domiciliar, ele será escoltado pela Polícia Federal até Brasília, em uma estratégia de colaboração institucional para reduzir tensões políticas e tentar conter o desgaste em torno de seu nome e do Banco Master.

Os advogados destacam que não será pedido habeas corpus preventivo para garantir silêncio total, pois a orientação é que Vorcaro responda ao máximo de questões possível, excetuando apenas aquelas que possam gerar autoincriminação, direito assegurado pela Constituição. Essa postura contrasta com a de outros investigados em casos de grande repercussão e é vista como tentativa de demonstrar transparência, influenciando a percepção de parlamentares e da opinião pública sobre seu grau de cooperação. As informações são da CNN.

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Quais temas devem dominar o depoimento de Daniel Vorcaro?

Na CPMI do INSS, que investiga desvios em aposentadorias e benefícios previdenciários, a expectativa é de foco nas operações do Banco Master consideradas suspeitas, sobretudo na interface entre produtos bancários e fraudes em benefícios públicos. A comissão busca entender de que forma estruturas financeiras privadas podem ter sido usadas para dar aparência de legalidade a esquemas que afetaram recursos da Previdência Social.

Parlamentares envolvidos pretendem explorar questões relacionadas ao uso de créditos consignados, à eventual participação indireta do banco em fraudes e ao grau de conhecimento de Vorcaro sobre transações investigadas, sempre confrontando suas falas com dados da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A defesa indica que ele deverá priorizar explicações técnicas e informações já formalizadas a órgãos de controle, evitando contradições com o inquérito em curso.

O que está sendo investigado sobre o Banco Master?

Paralelamente à CPMI, o Banco Master é alvo de inquérito da Polícia Federal que apura supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro, em procedimento que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso mudou de relator após a PF identificar menções ao ministro Dias Toffoli em dispositivos eletrônicos apreendidos de Vorcaro, o que levou à redistribuição do processo e aumentou a sensibilidade institucional do caso.

As apurações indicam possível emissão e venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs, usados para alimentar fundos de investimento nos quais o Banco Master seria único cotista, levantando suspeitas de circulação de ativos sem lastro real para inflar artificialmente resultados. A Comissão de Assuntos Econômicos, presidida pelo senador Renan Calheiros, também incluiu Vorcaro entre as prioridades de oitivas, para esclarecer operações atípicas e possíveis violações de regras prudenciais, de transparência e de proteção a investidores.

Quais são os principais pontos que podem surgir na CAE sobre o Banco Master?

Na Comissão de Assuntos Econômicos, os senadores devem concentrar-se em aspectos mais amplos da atuação do Banco Master no mercado, indo além das suspeitas ligadas ao INSS. O objetivo é verificar se a instituição respeitou normas de governança, de gerenciamento de riscos e de comunicação com reguladores, como Banco Central e CVM, diante de operações consideradas complexas ou atípicas.

Nesse contexto, a CAE tende a abordar temas estruturais ligados ao funcionamento do banco e de outros médios bancos de investimento, analisando se houve falhas de supervisão ou fragilidades regulatórias que permitiram o avanço das práticas sob investigação. Entre os pontos que podem ser levantados nas perguntas aos executivos e ao próprio Vorcaro, destacam-se:

  • Critérios de concessão de crédito e exposição a riscos em operações de alto rendimento.
  • Estrutura e transparência de fundos em que o banco figura como único cotista.
  • Comunicação de operações suspeitas aos órgãos de controle e cumprimento de normas de compliance.

Quais podem ser os desdobramentos do caso?

A ida de Daniel Vorcaro à CPMI do INSS e à CAE tende a produzir efeitos que vão além da esfera criminal, alcançando a agenda política e regulatória do sistema financeiro. Suas declarações podem reforçar ou enfraquecer a narrativa de colaboração com as autoridades, influenciar propostas de mudança na fiscalização de bancos médios e fundos e alimentar debates sobre a relação entre instituições financeiras e fraudes envolvendo benefícios públicos.

As sessões também devem oferecer novos elementos para o público compreender como parte do mercado financeiro opera na interseção com recursos de origem pública e políticas sociais, como a Previdência. A combinação de inquéritos no STF, atuação da Polícia Federal, pressão de comissões parlamentares e intensa cobertura da imprensa coloca o depoimento de Vorcaro entre os eventos mais aguardados da agenda política e econômica de 2026, com potencial de impulsionar ajustes regulatórios e reforçar mecanismos de controle.

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