O pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do chamado “caso Master” ganhou um novo capítulo com a decisão do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) de acionar nesta quinta-feira (12/2) novamente a Procuradoria-Geral da República (PGR), com base em novos elementos revelados nas investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Como o novo pedido de afastamento no caso Master foi motivado?
O novo pedido de Jordy à PGR está ligado à descoberta, pela Polícia Federal, de mensagens enviadas por Dias Toffoli ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Essas conversas de WhatsApp indicariam proximidade entre o ministro e o banqueiro, com menções a pagamentos e tratativas de interesse mútuo.
Além das mensagens, o próprio Toffoli admitiu ter participação societária na empresa Maridt Participações, fato que não havia sido amplamente divulgado anteriormente. Para Jordy, essa combinação de elementos levanta dúvidas sobre a imparcialidade do ministro na condução da investigação e justifica nova análise pela PGR. Veja a publicação de Jordy:
Além das graves mensagens de WhatsApp apreendidas pela PF, que revelam a proximidade entre Vorcaro e Dias Toffoli e mencionam pagamentos, o ministro agora admite ser sócio da Maridt e afirma que os valores foram destinados à empresa. Por que, então, havia omitido até agora sua…
— Carlos Jordy (@carlosjordy) February 12, 2026
Quais são os novos elementos apresentados por Carlos Jordy à PGR?
Ao comentar o assunto na rede social X, Carlos Jordy afirmou que as mensagens apreendidas pela PF, somadas à confissão de sociedade na Maridt, reforçam o argumento de suspeição. O deputado questionou por que a condição de sócio não teria sido revelada de forma mais transparente em momento anterior.
O pedido busca que a PGR reavalie o papel de Toffoli no caso Master à luz desses novos fatos, inclusive confrontando-os com normas de transparência e regras sobre conflito de interesses. Jordy também defende que a Procuradoria emita manifestação mais explícita sobre eventual necessidade de afastamento do ministro dos processos ligados ao banco. Veja vídeo recente compartilhado pelo parlamentar:
BOMBA explode em Toffoli, mas ministro dobra a aposta! pic.twitter.com/XlzmuzpkEq
— Carlos Jordy (@carlosjordy) February 12, 2026
Quais são os antecedentes do pedido de suspeição de Dias Toffoli?
O novo requerimento de Jordy não é o primeiro movimento nesse sentido, pois em janeiro o procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia arquivado solicitação anterior. Na ocasião, o foco estava em uma viagem de Toffoli a Lima, no Peru, na mesma aeronave que o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master.
Gonet decidiu arquivar afirmando que os fatos já eram objeto de apuração no Supremo Tribunal Federal, com acompanhamento da PGR, e que não havia, naquele momento, providências adicionais a tomar. Após declarações públicas de que não teria sido formalmente provocado a se manifestar especificamente sobre o impedimento, parlamentares retornaram com novo pedido, alegando a existência de fatos mais robustos e vínculos objetivos.
Por que o caso Master e a atuação da PGR geram tanta atenção?
O caso Master envolve suspeitas de fraudes financeiras e operações complexas realizadas por meio do Banco Master e de empresas associadas, com potencial impacto no sistema financeiro. A presença de um ministro do STF na relatoria, somada a indícios de relações pessoais e societárias com figuras ligadas ao banco, torna o tema sensível e politicamente carregado.
Para acompanhar a controvérsia, observadores destacam alguns pontos que ajudam a avaliar a conduta das instituições e a resposta da PGR diante de pedidos de afastamento e de suspeição:
- Transparência na divulgação de vínculos pessoais, profissionais ou societários de autoridades com investigados.
- Coerência entre decisões anteriores da PGR e novos pedidos fundamentados em fatos adicionais.
- Regularidade processual na tramitação de representações, arquivamentos e reaberturas de análise.
- Respeito ao devido processo legal, tanto para investigados quanto para autoridades mencionadas.
Quais etapas costumam ocorrer em pedidos de suspeição?
Especialistas em direito público apontam que casos de suspeição envolvendo autoridades de cúpula, como ministros do STF, seguem um rito que busca garantir segurança jurídica. No caso Master, esse procedimento é observado de perto, em razão das implicações institucionais para o Supremo e para o Ministério Público.
De modo geral, tendem a ocorrer etapas sucessivas, que podem incluir protocolo formal, triagem inicial, decisões de arquivamento ou avanço e eventual manifestação ao STF. A publicidade dos atos, respeitados os sigilos legais, também é vista como fator central para a confiança pública e para o desfecho de controvérsias semelhantes no futuro.