O WhatsApp, plataforma de mensagens da Meta Platforms, afirmou nesta quinta-feira (12/2) que autoridades da Rússia estariam tentando interromper totalmente o funcionamento do serviço no país. Segundo a empresa, a medida teria como objetivo pressionar a população a migrar para um aplicativo controlado pelo governo, apontado como ferramenta de monitoramento.
Quais os detalhes sobre o bloqueio do WhatsApp na Rússia?
O bloqueio do WhatsApp se tornou um tema sensível no cenário digital russo e envolve mais de 100 milhões de pessoas em meio a preocupações com privacidade, segurança e controle estatal.
Relatos indicam que alguns domínios do aplicativo desapareceram do registro nacional de nomes de domínio da Rússia, fazendo com que redes locais deixassem de fornecer os endereços IP necessários e tornando o acesso viável, em grande parte, apenas com o uso de VPN.
Como o governo russo está ampliando o bloqueio do WhatsApp?
A Roskomnadzor iniciou as primeiras restrições em agosto, dificultando chamadas telefônicas pelo aplicativo e alegando descumprimento de exigências legais sobre compartilhamento de dados em investigações de fraude e terrorismo.
Em dezembro, novas medidas foram anunciadas, acusando o mensageiro de servir para “organizar e executar atos terroristas” e facilitar crimes, o que fortaleceu a base legal para uma escalada de controle sobre serviços de comunicação estrangeiros e criptografados.
Por que o bloqueio interessa ao governo russo?
Especialistas em políticas digitais relacionam o bloqueio do WhatsApp na Rússia à estratégia de fortalecer plataformas nacionais, em especial o aplicativo estatal MAX, apresentado como ferramenta integrada a serviços públicos e pagamentos.
Críticos afirmam que o MAX pode servir como instrumento de rastreamento e vigilância, enquanto outras plataformas como Telegram, Facebook, Instagram, Snapchat e YouTube enfrentam pressão ou bloqueios, compondo um cenário de forte intervenção sobre o ambiente digital.
Quais alternativas os usuários russos têm diante do bloqueio do WhatsApp?
Diante das restrições, muitos russos passaram a combinar o uso do WhatsApp com redes privadas virtuais, utilizando VPN para redirecionar o tráfego a servidores externos e contornar filtros e bloqueios locais impostos ao aplicativo.
Outros usuários migraram para mensageiros concorrentes, alguns com foco em criptografia e outros alinhados ao governo, embora até plataformas populares como o Telegram sofram críticas oficiais e possam enfrentar limitações adicionais conforme o controle estatal aumenta. Nesse contexto, o cotidiano digital passa a envolver decisões constantes sobre riscos, privacidade e usabilidade, levando a diferentes estratégias individuais de comunicação segura ou conformidade com soluções estatais:
- Uso de VPN: principal método para driblar o bloqueio do WhatsApp e acessar servidores externos.
- Troca de aplicativo: adoção de outros mensageiros privados ou estatais, com diferentes níveis de proteção.
- Funções limitadas: chamadas e recursos avançados podem continuar restritos mesmo com acesso parcial.
- Maior vigilância: risco apontado em plataformas estatais integradas a serviços governamentais.
Existe espaço para um possível acordo?
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sinalizou que ainda é possível um entendimento, condicionando um acordo à disposição da Meta em dialogar e adequar o serviço à legislação russa, especialmente em temas de acesso a dados e cooperação em investigações.
Enquanto o governo invoca argumentos de segurança nacional e combate ao crime, a empresa sustenta que um bloqueio total prejudica a privacidade, enfraquece a segurança digital e força a adesão a soluções ligadas ao Estado, criando um impasse que pode servir de referência para outros países que debatem a regulação de mensagens criptografadas.