O julgamento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), marcado para esta quarta-feira (11/2), reacende o debate sobre os limites da atuação política nas redes sociais e o alcance da legislação eleitoral diante da desinformação, podendo resultar na perda de seu mandato.
Como será o julgamento de Nikolas no TRE-MG?
O julgamento de Nikolas no TRE-MG envolve publicações feitas quando ele ainda era vereador em Belo Horizonte e candidato a deputado federal. A sessão está prevista para as 8h, em formato híbrido, e pode resultar em cassação do mandato e inelegibilidade.
Dois processos foram unificados por semelhança de conteúdo, propostos por Sara Azevedo (PSOL) e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). Na AIJE, sustenta-se que Nikolas extrapolou o debate legítimo ao reiteradamente questionar a integridade das urnas eletrônicas e da Justiça Eleitoral, com possíveis reflexos na confiança pública. As informações são do jornal O Tempo.
Quais são as principais acusações contra Nikolas Ferreira?
Os autores da ação afirmam que Nikolas, identificado como político de direita e influenciador digital, usou suas contas em Twitter, YouTube, Instagram e Gettr para difundir conteúdos “sabidamente inverídicos” ou “gravemente descontextualizados”. A acusação alega que isso teria desequilibrado a disputa eleitoral de 2022.
Segundo a ação, essas postagens atacaram o sistema eletrônico de votação, lançaram suspeitas sobre a legitimidade do processo eleitoral, mencionaram movimentos antidemocráticos e estimularam hostilidade contra opositores, compondo um padrão comunicacional visto como abusivo e dirigido a um amplo público digital.
Quais argumentos sustentam a tese de abuso de poder econômico e político?
A acusação fundamenta-se em precedentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já reconheceu a desinformação massiva como abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A tese central é que Nikolas integrou e reforçou um “ecossistema de desinformação” associado ao bolsonarismo.
Para apurar eventual abuso de poder econômico e o alcance das publicações, foram solicitadas medidas probatórias específicas, algumas deferidas e outras negadas pelo TRE-MG, de acordo com a pertinência aos fatos narrados e o caráter excepcional de certas quebras de sigilo. Entre os pedidos formulados pela acusação, destacam-se as seguintes medidas voltadas à verificação de financiamento e impacto das postagens:
- Quebra dos sigilos fiscal e bancário do deputado federal;
- Envio de ofícios a plataformas digitais para identificar patrocínio de posts;
- Levantamento de dados sobre alcance, monetização e origem de recursos das publicações.
O TRE-MG autorizou ofícios ao Twitter e ao YouTube (Google), mas negou diligências relativas a Facebook, Instagram e Gettr por falta de indicação específica de posts. A quebra de sigilos fiscal e bancário também foi indeferida, por ausência de vínculo direto com os fatos e por se tratar de medida excepcional.
Como a defesa de Nikolas Ferreira reage às acusações?
A defesa contesta a narrativa dos autores e afirma que o suposto “ecossistema de desinformação” não foi adequadamente descrito no processo. Os advogados arrolaram o deputado estadual Bruno Engler (PL) e o senador Cleitinho (Republicanos) como testemunhas, para reforçar que as postagens teriam sido espontâneas no clima eleitoral de 2022.
Segundo a defesa, Nikolas não teve intenção de divulgar informações falsas nem de atacar o sistema eleitoral, mas apenas de solicitar investigação ao TSE sobre denúncias envolvendo urnas eletrônicas. Argumenta-se que ele agiu no exercício do dever de fiscalização parlamentar e está protegido pela liberdade de expressão, negando qualquer incentivo a atos antidemocráticos ou violência política.
Quais podem ser os impactos do julgamento?
O julgamento no TRE-MG é visto como teste relevante para a Justiça Eleitoral em 2026, num cenário de centralidade das redes sociais e da desinformação no debate público. Em caso de condenação, Nikolas pode perder o mandato de deputado federal e se tornar inelegível, a depender da abrangência da decisão e de recursos ao TSE.
Além da situação individual do deputado, o caso pode servir de referência para outras ações sobre conteúdos de influenciadores políticos que atacam o sistema de votação e instituições democráticas. A forma como o tribunal delimitará discurso político, crítica institucional, liberdade de expressão e abuso comunicacional tende a afetar estratégias de campanha, políticas de moderação de plataformas e regras de impulsionamento pago em futuras disputas eleitorais. Veja publicação recente do parlamentar:
Que tal? pic.twitter.com/KXg6lYwZgO
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 11, 2026