O café ocupa espaço fixo na rotina de milhões de pessoas no Brasil, movimentando uma ampla cadeia produtiva que envolve produtores, cooperativas, indústrias e pontos de venda, o que torna essencial a fiscalização da Anvisa e a verificação de qualidade para proteção da saúde pública.
Como funciona a fiscalização da Anvisa sobre o café?
A fiscalização da Anvisa sobre o café concentra-se no produto pronto para consumo, como o café torrado e moído ou em cápsulas, disponível no varejo. A agência define limites de contaminantes químicos e microbiológicos, critérios de rotulagem e boas práticas de fabricação para reduzir riscos à saúde.
Quando surgem indícios de irregularidades, como denúncias ou resultados laboratoriais fora do padrão, a Anvisa pode coletar amostras, emitir laudos e determinar suspensão de fabricação ou recolhimento de lotes. Em situações graves, podem ocorrer interdição de estabelecimentos e proibição de uso de ingredientes inadequados.
Qual é a relação entre a fiscalização da Anvisa e do MAPA no café?
A fiscalização da Anvisa sobre o café é complementar à do MAPA, que atua desde a lavoura até a indústria sob o ponto de vista de identidade e qualidade do grão. Enquanto a Anvisa foca na segurança sanitária do alimento pronto, o MAPA estabelece parâmetros como tipo de café, teor de umidade e limites de impurezas físicas.
Na prática, o MAPA inspeciona armazéns, cooperativas e torrefadoras, verificando registro de estabelecimentos e conformidade com padrões oficiais. Quando são detectados problemas recorrentes, podem ser desencadeadas ações conjuntas com bloqueio de lotes, recolhimentos coordenados e emissão de notas técnicas aos consumidores.
O que foi a Operação Valoriza na fiscalização do café?
A Operação Valoriza, realizada pelo MAPA em março de 2024, teve foco no café torrado e moído para combater fraudes, garantir qualidade e promover concorrência justa. Foram fiscalizados 47 estabelecimentos, com suspensão cautelar de um deles por condições higiênico-sanitárias inadequadas.
Houve apreensão cautelar de 9.400 kg de produtos suspeitos, coleta de 118 amostras para análise e autuações por falta de registro. As equipes avaliaram condições de produção, rastreabilidade, registros e boas práticas, aplicando penalidades que vão de advertências à cassação de registro, conforme o Decreto Federal 6.862/2007.
Quais marcas de café sofreram fiscalização em 2025?
As operações de controle em 2025 atingiram diferentes regiões do país e diversas marcas de café, com identificação de impurezas acima do limite, matérias estranhas, falhas de higiene e rótulos enganosos. Em muitos casos, houve proibição de lotes específicos ou recolhimento nacional.
Entre as marcas envolvidas estiveram Terra da Gente, Jalapão, Made in Brazil, Q-Delícia, Melissa, Pingo Preto, Oficial do Brasil, Café Câmara, Fellow Criativo e Vibe Coffee. Nesta última, a proibição inicial ocorreu por ausência de licença sanitária, falta de procedimentos operacionais padrão, falhas de rastreabilidade e higienização inadequada, sendo revertida após ajustes e regularização.
Como escolher um café mais seguro no dia a dia?
Além da atuação de Anvisa e MAPA, a conduta do consumidor é decisiva para evitar problemas, pois algumas verificações simples ajudam a identificar produtos que exigem maior cautela. A seguir, estão orientações práticas para tornar a escolha do café mais segura e consciente.
- Analisar o rótulo: verificar fabricante, CNPJ, lote, fabricação e validade legíveis.
- Observar a embalagem: evitar produtos violados, com furos, umidade ou odor estranho.
- Acompanhar alertas oficiais: consultar comunicados de Anvisa, MAPA e Procons.
- Guardar a nota fiscal: facilitar trocas, reclamações e denúncias formais.
- Desconfiar de promessas exageradas: evitar cafés com efeitos “milagrosos” sem respaldo científico.